A Universidade de Lisboa é a instituição portuguesa melhor classificada no ranking de Xangai, hoje divulgado, mas a posição é reveladora do “desinvestimento na ciência nos últimos anos”, disse à Lusa o reitor da instituição.

O ranking de Xangai, que analisa parâmetros como a qualidade da produção científica das instituições, elabora anualmente a lista das 500 melhores universidades do mundo.

Da lista liderada pela norte-americana Universidade de Harvard constam três universidades portuguesas: Lisboa (276.º lugar), Porto (386.º lugar) e Coimbra (464.º lugar).

No entanto, este ranking, a partir da posição 100, faz uma avaliação por intervalos de 100 em 100 lugares, hierarquizando as instituições colocadas dentro de cada um desses intervalos por ordem alfabética, e não de acordo com uma real classificação numérica.

Em declarações à Lusa, o reitor da Universidade de Lisboa (UL), António Cruz Serra, defendeu que, “pelas contas feitas pela universidade”, a real posição da UL seria a 201.ª, o que é “um lugar praticamente igual ao do ano passado”, mas que deixa a instituição “muito satisfeita”, considerando-o “um bom resultado”, apesar das restrições financeiras no país que afetam o ensino superior e a ciência.
 

“Nota-se o impacto da redução do financiamento. Um dos indicadores de ciência deste ranking mostra uma descida de todas as universidades portuguesas, refletindo os cortes de financiamento. Conseguimos manter a posição graças ao desempenho conjunto dos nossos investigadores”, disse Cruz Serra.


O reitor de Lisboa sublinhou que a universidade ocupa uma posição na lista “que não era imaginável antes da fusão [da Universidade de Lisboa com a Universidade Técnica de Lisboa]”, num ranking que “mede o trabalho verdadeiramente feito pelas universidades” e teme que, nos próximos anos, a instituição venha a perder o lugar conquistado.
 

“Não sei como será nos próximos anos. Muitos dos nossos investigadores saíram para o estrangeiro. Temos aqui o primeiro impacto dos cortes no financiamento”, referiu.