Um quarto dos alunos de licenciatura e mestrado integrado da Universidade de Lisboa consideram pouco ou nada prejudicial para a sua saúde fumar «cannabis» ocasionalmente, segundo um estudo apresentado esta terça-feira, relativo ao ano letivo de 2012-2013.

O Estudo Consumos e Estilos de Vida no Ensino Superior, realizado em conjunto pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e Dependências (SICAD), Observatório Permanente da Juventude do Instituto de Ciência Sociais da Universidade de Lisboa (OPJ/ICS-UL) e Conselho Nacional da Juventude (CNJ), procurou aferir os hábitos dos universitários em aspetos como prática de desporto, alimentação, atividades de lazer, ingestão de bebidas alcoólicas e consumo de substâncias psicoativas, inquirindo pela Internet mais de três mil alunos.

O estudo revela ainda que relativamente ao consumo de «smart drugs» há uma perceção semelhante de ausência de efeitos para a saúde, ainda que a percentagem de alunos que acham que esse consumo ocasional pouco ou nada prejudicial fique abaixo dos 10%. Ainda assim, entre os universitários que responderam ao inquérito, mais de 70% considera esse consumo muito prejudicial à saúde.

Sobre o consumo de «cannabis» em concreto, 40% dos estudantes admitiram já a ter consumido pelo menos uma vez na vida, sendo que a maioria (77,6%) iniciou o consumo entre os 15 e os 19 anos.

O consumo de drogas mais pesadas, como a cocaína ou a heroína, é residual comparado com a «cannabis» ou as «smart drugs». Costuma iniciar-se maioritariamente entre os 15 e 19 anos, de acordo com as respostas no inquérito, ainda que a prevalência do início do consumo aumente consideravelmente na faixa etária a partir dos 19 anos.

A faixa etária dos 15 aos 19 anos é declarada pelos universitários como sendo aquela em maioritariamente iniciaram o consumo de drogas lícitas e ilícitas, mas também de bebidas alcoólicas.

A grande maioria dos inquiridos (82,4%) concorda com a ideia de que o consumo de quatro ou cinco bebidas alcoólicas quase todos os dias tem um efeito muito prejudicial para a saúde, mas são cerca de 15% os estudantes que entendem que conduzir depois de ingerir três cervejas não tem efeitos, ou tem efeitos muito reduzidos.

Mais de 36% dos alunos admitiu ter bebido a sua primeira bebida alcoólica antes dos 15 anos.

Fumar cigarros regularmente é entendido pelos alunos como prejudicial (15,6%) ou muito prejudicial (83%) para a saúde.

Mais de 80% dos inquiridos consideram a toma de medicamentos sem receita médica como sendo prejudicial ou muito prejudicial à saúde.

A mistura de substâncias, ou policonsumos, tem valores abaixo dos 30%, sendo a mais frequente a junção de bebidas energéticas com bebidas alcoólicas e 3,5% dos estudantes inquiridos admitiram já ter misturado tranquilizantes, antidepressivos ou sedativos com bebidas alcoólicas.

A cerveja, as bebidas espirituosas e o vinho são as preferidas entre os universitários e 37% dos estudantes admitiram ter bebido mais de cinco copos, no caso das mulheres, ou mais de seis copos, no caso dos homens, numa mesma ocasião, um tipo de consumo denominado «binge drinking», numa síntese da Lusa.