O programa de ação social da Universidade de Coimbra, que propõe atividades a tempo parcial aos estudantes, em troca do pagamento de propinas, alojamento ou refeições, já envolveu um total de 67 mil euros em apoios.

O Programa de Apoio Social a Estudantes através de atividades de tempo parcial (Pasep), criado pelos Serviços de Ação Social da Universidade de Coimbra (SASUC) em dezembro de 2013, dirige-se a todos os estudantes da universidade, permitindo-lhes receber um apoio, que é convertido num desconto no pagamento de residência, de propinas ou em senhas de alimentação.

Até ao momento, já foi dado em forma de apoio um total de 67 mil euros.

Foram envolvidos 204 estudantes no programa, que contou com 43 ofertas de atividades lançadas, disse à agência Lusa a administradora dos SASUC, Regina Bento.

«O balanço é muito positivo. Há uma adesão cada vez maior das unidades orgânicas na abertura de ofertas e cada vez mais estudantes a concorrerem», tendo-se candidatado, desde o início do programa, 1.248 alunos, sublinhou Regina Bento.


Segundo a administradora dos SASUC, as atividades "começam a ser mais variadas".

Se no início havia essencialmente atividades relacionadas com trabalho de apoio nas cantinas ou de vigilância nas bibliotecas, hoje há ofertas como «tratamento de informação, atualização de páginas ‘web', digitalização de documentos ou até serviços de explicações», apontou.

«Há um potencial enorme de atividades», disse, referindo que o objetivo «é envolver o maior número de unidades orgânicas» na iniciativa.

Regina Bento considerou que o Pasep «vai crescer muito», visto que «as necessidades dos estudantes são maiores e o próprio programa vai-se consolidando».

Agora, está a ser discutido um ajustamento de «alguns critérios» do regulamento do programa, que poderá aumentar o número de estudantes elegíveis.

Aquando do arranque do programa, este foi alvo de críticas por parte da Juventude Comunista Portuguesa (JCP) de Coimbra, que acusou a universidade de «aproveitamento» da situação dos estudantes em risco de abandonar o ensino superior.

Segundo a JCP, a Universidade «mais não faz do que usar, de forma gratuita, as dificuldades que enfrentam os estudantes para preencher funções e postos de trabalho necessários, despedindo trabalhadores e pondo em causa o direito à educação e ao trabalho de uma machadada só».

Alma Rivera, membro da JCP de Coimbra, afirmou que o Pasep «coloca os estudantes numa situação de chantagem».