O reitor da Universidade de Coimbra (UC) rejeitou o pedido de congelamento do valor das propinas feito pela Associação Académica de Coimbra (AAC), depois de os estudantes entregarem um congelador como protesto contra o seu aumento.

João Gabriel Silva defendeu que «o congelador tem de chegar à ministra das Finanças», considerando que, com os cortes orçamentais no ensino superior, é «impossível congelar as propinas».

O reitor da Universidade de Coimbra afirmou, perante os estudantes, que «as perspetivas para 2014 não são animadoras», estando estimado um corte de 4,1% no financiamento ao ensino superior no Orçamento de Estado para o próximo ano.

Os estudantes «têm que pagar sempre um pouco mais de propinas todos os anos», criticou o presidente da direção-geral da AAC, Ricardo Morgado, no momento da entrega simbólica do congelador ao reitor, por volta das 14:30, com um papel com o valor atual das propinas (1.065,72 euros) dentro do eletrodoméstico e a pergunta «Agora já pode congelar?».

O presidente da AAC disse à comunicação social presente que os protestos vão continuar, estando agendado um cortejo «fúnebre» na próxima terça-feira, dia 22 de outubro, assim como uma série de arruadas de 28 de outubro a 01 de novembro e uma manifestação a 30 de outubro, na antevéspera da votação de Orçamento de Estado para 2014.

«É altura de a universidade estar do lado dos estudantes», afirmou Ricardo Morgado, referindo que, «dos mais de 100 mil estudantes que fizeram os exames» finais do ensino secundário, apenas «cerca de 30 mil se inscreveram no ensino superior».

O presidente da AAC entregou também ao reitor da academia 20 respostas para «um ensino superior melhor».

Nesse folheto de reivindicações, a AAC exigiu, entre outras medidas, que nenhum estudante seja afastado do ensino superior «por incapacidade financeira», que seja dado o «apoio justo» a estudantes bolseiros e que nenhum estudante possa ver «o seu direito à bolsa negado por uma dívida» de um outro elemento do agregado familiar.