O reitor da Universidade de Coimbra, João Gabriel Silva, criticou os milhares de milhões de euros do Fundo Social Europeu que «foram deitados à rua para alimentar pseudo-formações».

O dinheiro gasto em ações de formação financiadas pelo Fundo Social Europeu «que foram aparecendo em Portugal» é «incompreensível», afirmou João Gabriel Silva em Coimbra, considerando que a formação no Ensino Superior «é muito mais valiosa».

«Critica-se que haja licenciados desempregados e, ao mesmo tempo, não se fala das pessoas com essas formações de tão irrelevantes que estas são» para a integração no mercado de trabalho e qualificação profissional, referiu.

Ao mesmo tempo «que se gasta muito dinheiro nestas formações não se consegue aumentar a pequenina fração destinada à ação social» das universidades e politécnicos, disse, sublinhando que há uma «enorme falta de sensibilidade do Governo para com o Ensino Superior».

«Não se entende como é que, numa altura destas, o dinheiro para bolsas diminui», frisou, citado pela Lusa.

De acordo com João Gabriel Silva, «não é a crise que impede o aumento de bolsas, são outras coisas».

O reitor da Universidade de Coimbra falava no final da tomada de posse dos novos órgãos da Associação Académica de Coimbra (AAC), na noite de segunda-feira.

Bruno Matias, o novo presidente da AAC, recordou que «quase mil estudantes abandonaram» a UC entre o ano letivo passado e o atual, querendo que o Ministério da Educação e as instituições do Ensino Superior criem «mecanismos para compreender e combater este fenómeno».

Durante o discurso, o dirigente estudantil referiu que a nova direção geral pretende criar um instrumento de «sinalização» dos estudantes que abandonam a instituição, criticando «a redução do financiamento», que prejudica «os motores de desenvolvimento do país».

Bruno Matias propôs-se ainda a cruzar os serviços do Gabinete de Saídas Profissionais da AAC com os da UC para garantir uma universidade «próxima do mundo laboral e com taxas de empregabilidade altas».

O novo presidente da AAC voltou também a frisar a necessidade do congelamento da propina na UC, assim como a reestruturação da administração interna da associação estudantil.

Também Ricardo Morgado, presidente cessante, salientou que «a educação deve ser prioritária», alertando que, em Portugal, «não há uma estratégia no Ensino Superior». «Sem nos apercebermos, estamos perante um retrocesso social e civilizacional», comentou, durante o seu discurso de despedida, depois de dois anos e três meses enquanto presidente da AAC.