As unidades de saúde de Viseu que têm alargamento de horário durante a semana e aos sábados vão ser obrigadas a encerrar mais cedo, lamentou a associação nacional que representa as Unidades de Saúde Familiar (USF).

Em comunicado, a associação refere que essas unidades já foram informadas de que, «a partir de setembro, deixariam de trabalhar depois das 20:00 e após as 13:00 aos sábados».

Na opinião desta associação, «o encerramento do alargamento de horário em USF, à semelhança do que já se verificou no Norte em 2012, leva à diminuição do acesso a cuidados de saúde», em horário pós laboral e aos fins de semana e feriados.

«Estas medidas anunciadas pela ARS (Administração Regional de Saúde) Centro, de modo unilateral, sem justificação clara e sem fundamentação, traduzem-se num grave prejuízo para os utentes», critica.

A agência Lusa tentou, mas em vão, obter informações sobre esta situação junto da ARS do Centro.

A associação lembra que o alargamento de horário nas USF «é um serviço de prestação de cuidados de saúde integrado, numa lógica de continuidade e globalidade, pela mesma equipa multiprofissional, com conhecimento dos utentes e do respetivo processo clínico».

Ao encerrarem mais cedo, os seus utentes «terão menos consultas médicas, de enfermagem e menos acesso ao secretariado clínico», passando a recorrer aos Serviços de Atendimento a Situações Urgentes e aos Serviços de Urgência dos hospitais, «onde as taxas moderadoras são mais elevadas e os serviços prestados têm custos superiores em medicamentos e meios auxiliares de diagnóstico».

Segundo a associação, não se trata de haver uma fraca procura nestes horários.

«O aumento da acessibilidade é documentado pelo número de consultas neste horário (muito procurado), que sempre ultrapassou largamente os valores contratualizados», sublinha.

Neste âmbito, a associação está convicta de que o fim do alargamento de horário nas USF «contraria o princípio de os cuidados de saúde primários prestarem cada vez mais cuidados de proximidade aos utentes do serviço nacional de saúde, adequando os horários à disponibilidade dos utentes».

A medida contraria também «as intenções que a própria ACSS (Administração Central do Sistema de Saúde) e o Ministério da Saúde divulgaram (em abril 2013), no sentido de alargar o horário das consultas para adequar os serviços às necessidades dos utentes», cita a Lusa.