A Cáritas Portuguesa defendeu uma atitude mais forte do Governo perante a troika e apelou a um entendimento entre os partidos para que o país negocie unido um prolongamento do prazo de pagamento da dívida.

Estas posições foram assumidas pelo presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio da Fonseca, no final de uma reunião com a direção do Grupo Parlamentar do PS na Assembleia da República.

Na reunião com a bancada socialista, o presidente da Cáritas Portuguesa deixou um apelo «para que todas as forças partidárias se unam no sentido de que se consiga um alargamento do prazo de pagamento da dívida», por forma a que o país «tenha orçamentos menos penosos do que o que está preparado para o próximo ano».

«O nosso povo já deu provas de que quer colaborar para que o país se liberte desta situação de crise em que se encontra. Mas não se pode pedir mais aos mesmos», advertiu.

Nas suas declarações aos jornalistas, o presidente da Cáritas Portuguesa criticou também o teor do último relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), sugerindo a Portugal uma nova redução dos salários, e defendeu qiue o Governo deverá ter uma atitude mais forte perante a troika (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional).

«Há uma preocupação do Governo em cumprir as metas acordadas com os credores internacionais e dizem-nos que há muita inflexibilidade. Ainda vimos na semana passada a posição desumana do FMI. Deve haver uma posição mais forte do Governo perante a troika - uma força também escudada pelas forças político-partidárias», sustentou.

Eugénio da Fonseca criticou a proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2014 por «continuar a insistir na austeridade - uma austeridade dirigida sobretudo ao mesmo estrato social que já tem sido muito sacrificado em orçamentos em anteriores».

«Está mais que provado que há pessoas que já não estão em condições de serem tão sacrificadas. Por outro lado, preocupa-nos cortes em setores que em tempo de crise deveriam ser muito protegidos, como a saúde, a educação e a segurança social», referiu o presidente das Cáritas.

Eugénio da Fonseca lamentou ainda que os cortes previstos no Orçamento para o próximo ano «voltem a incidir sobre os rendimentos do trabalho, através dos impostos diretos, quando se deveria ir mais aos impostos sobre a criação de riqueza, tendo uma fiscalidade que assegurasse uma maior equidade social».