A Comissão Europeia definiu 2030 como data limite para acabar com as embalagens de plástico descartáveis na União Europeia, mudando para plástico reciclável e reutilizável e limitando o uso de microplásticos.

Na estratégia europeia para os plásticos, salienta-se que há "uma razão económica de peso" para seguir esse caminho e que a Europa deve estar na vanguarda da reciclagem e reutilização de materiais, criando "novas oportunidades de investimento e novos postos de trabalho" numa indústria que emprega 1,5 milhões de pessoas e move 340 mil milhões de euros.

A Comissão quer tornar a reciclagem mais rentável para as empresas e defende que a União Europeia deve fazer novas normas para embalagens, tornando o plástico utilizado mais reciclável, aumentando e melhorando a recolha para poupar "cerca de cem euros por cada tonelada de resíduos recolhida".

A criação de 200 mil empregos no setor de triagem e reciclagem é outra das metas que deve ser alcançada até 2030.

Limpar o mar

Na legislação europeia deverão também ser visadas outras fontes de plástico descartáveis, como as artes de pesca.

A Comissão tomará igualmente medidas para restringir a utilização de microplásticos nos produtos e fixará rótulos para os plásticos biodegradáveis e compostáveis", refere-se na nova estratégia.

A deposição de lixo no mar será proibida, com novas normas a aplicar nos portos e nos navios, para que não se deixem resíduos para trás, acompanhadas de "medidas para reduzir os encargos administrativos dos portos, navios e autoridades competentes".

Destinam-se 100 milhões de euros adicionais para financiar "a criação de materiais plásticos mais inteligentes e mais recicláveis, o aumento da eficiência do processo de reciclagem e o rastreio e eliminação de substâncias perigosas e contaminantes de plásticos reciclados".

Se não mudarmos a forma como produzimos e utilizamos os objetos de plástico, em 2050 haverá mais plástico do que peixes nos nossos oceanos", argumentou o responsável pelo desenvolvimento sustentável e vice-presidente da Comissão, Frans Timmermans.

Anualmente, os europeus geram 25 milhões de toneladas de resíduos de plástico, "das quais menos de 30 por cento são recolhidas", enquanto "85% do lixo encontrado nas praias de todo o mundo" é plástico.

Associação Zero considera insuficiente

Em Portugal, a associação ambientalista Zero considerou insuficiente a estratégia europeia para os plásticos, defendendo a penalização ou proibição do uso de determinados materiais e o incentivo à utilização de outros mais duráveis e reutilizáveis.

Em comunicado, a Zero - Associação Sistema Terrestre Sustentável "considera a proposta insuficiente", alegando que não estão consagradas "as medidas necessárias para alterar o paradigma da sociedade do descartável e reduzir a ameaça ambiental e para a saúde pública".

A organização defende que "é necessário penalizar e, em alguns casos, proibir o uso de determinados produtos" e apoiar "soluções que promovem a qualidade dos materiais - mais duráveis, reutilizáveis".

A Zero entende que devem ser taxados todos os sacos descartáveis e materiais de plástico usados na restauração, em festas ou festivais, penalizada a utilização das palhinhas descartáveis e promovidas as reutilizáveis.

Para os ambientalistas, deveria ser obrigatório o uso de embalagens reutilizáveis em bebidas servidas para consumo na restauração e serem criadas medidas fiscais para incentivar ao uso de fraldas recicladas em creches e nos lares familiares.