O coordenador da União de Sindicatos do Porto, afeta à CGTP, João Torres, pediu esta quarta-feira que o Natal de 2015 seja para todos e não «só para alguns», numa altura em que vê as desigualdades agravarem-se.

«Para este Natal, aquilo de que gostávamos não vamos conseguir concretizar de certeza absoluta. Os milhares, os centenas de milhares e até milhões de portugueses que vão passar o Natal com menos dignidade, nós gostávamos que isso não acontecesse», afirmou João Torres, durante uma manifestação no largo dos Loios, no Porto, que daí seguiu para a rua de Santa Catarina.


O dirigente sindical disse esperar conseguir que, através da «ação continuada de protesto, luta e denúncia» o Natal do próximo ano seja «um Natal para todos e que não seja um Natal só para alguns».

«Tudo faremos para que este país seja para velhos, para novos e para pessoas de meia-idade. Que seja um país mais justo», declarou João Torres.


O protesto do final de tarde desta quarta-feira atravessou a praça da Liberdade pela rua 31 de Janeiro, ouvindo-se palavras de ordem como «Portugal enxovalhado com tanto visto dourado» ou «Este Governo hostil quer destruir Abril».

O responsável da União de Sindicatos do Porto disse que o protesto foi convocado para «denunciar as desigualdades e as injustiças que têm vindo a alastrar de uma forma muito acentuada neste país, designadamente com os cortes que têm sido feitos nas reformas, nos salários».

Num documento publicado esta quarta-feira pelo Observatório das Desigualdades, do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa, os autores Renato Carmo e Frederico Cantante escrevem que «a sociedade portuguesa é uma das mais desiguais da União Europeia ao nível da distribuição do rendimento disponível».

«O cariz estrutural e persistente das desigualdades económicas na sociedade portuguesa, fenómeno imbricado com a desigualdade de recursos escolares e qualificacionais, tem funcionado como um fator de pressão sobre a ação redistributiva do estado, de tendencial polarização das condições de vida e de entrave às possibilidades de mobilidade social de boa parte da população portuguesa», pode ler-se no texto publicado na revista científica Sociologia, Problemas e Práticas.


No entanto, e devido a limitação temporal dos dados estatísticos disponíveis atualmente, os dois investigadores ressalvam que «os dados disponíveis ainda não podem dizer muito mais», em particular sobre a eventual transformação do desemprego numa «variável estrutural».