A União das Misericórdias gastou quase 12 mil euros dos 1.6 milhões do fundo de apoio às populações afetadas pelos incêndios de Pedrógão Grande, revelou, esta quarta-feira, o presidente da instituição, garantindo que o valor foi todo para as vítimas.

De acordo com os dados da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), a que a Lusa teve acesso, o valor total doado foi de 1.811.421,59 euros, 1.001.191,09 euros dos quais através das chamadas de valor acrescentado no decorrer do concerto solidário “Juntos por Todos”, a 27 de junho, no Meo Arena, em Lisboa.

Neste fundo entram também 467.949,98 euros de particulares e empresas, 330.650 da venda de bilhetes para o concerto “Juntos por Todos”, além de 580 euros da venda de bilhetes para o evento “Música Solidária”, da Câmara Municipal de Aveiro e mais 11.050,52 euros de chamadas internacionais.

Do valor angariado, a UMP teve de pagar 190.950 euros de IVA (Imposto de Valor Acrescentado) ao Estado, uma parte pelos bilhetes vendidos e outra pelas chamadas de valor acrescentado. A isto somam-se mais 1.660,50 euros gastos em anúncios e divulgação de donativos.

Contas feitas, a UMP ficou com 1.606.881,99 euros para gerir, dos quais já gastou 11.929,10 euros na recuperação de duas habitações.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da União das Misericórdias disse estar magoado com as acusações que lhe têm sido feitas sobre a gestão do fundo, apontando que se trata de uma “luta política” entre o PS e o PSD, e que “isso não é sério”.

Por causa da guerra política, que toda a gente percebe e acha natural, de repente estão a levantar questões de suspeição a gente que está a ajudar as pessoas.”

Nesse sentido, garantiu que “o que se gastou efetivamente do fundo foi completamente para as pessoas” e que não houve dinheiro nenhum gasto com despesas da União das Misericórdias.

Não há dia nenhum que não vá um carro da União lá e isso custa gasóleo, custa pneus, os funcionários têm que almoçar, às vezes têm que jantar, dormir e nunca se imputou um cêntimo a isso.”

Explicou que inicialmente a UMP tinha ficado responsável pela recuperação de 60 casas, número que foi reduzido para cerca de 40 habitações, depois de se ter constatado que muitas não eram primeira habitação, que são prioritárias.

Em relação às cerca de 40 casas, Manuel Lemos explicou que algumas precisavam de pequenas obras, outras de médias obras e outras ainda precisavam de ser totalmente reconstruídas, acrescentando que este levantamento só foi concluído por volta do dia 20 de agosto.

Segundo Manuel Lemos, a UMP está a intervir atualmente em todas as casas, tendo começado por “mandar avançar os empreiteiros” no caso das situações “mais simples”, e ressalvando que recorreram “sempre aos empreiteiros locais para animar a economia local”.

Por outro lado, adiantou que nas casas de pessoas idosas tomaram a iniciativa de fazer algumas “melhorias simples” na habitação.

Estamos a por um corrimão na escada que não tinha, estamos a por um suporte na casa de banho para o idoso quando se senta poder-se levantar, estamos a fazer uma cozinha melhor.”

Manuel Lemos justificou a demora no processo com o tempo que foi necessário para o levantamento dos bens ardidos, que demorou cerca de um mês, além do levantamento das obras necessárias e das respetivas autorizações.

Garantiu que a verba angariada vai chegar para recuperar todas as atuais habitações e outras que eventualmente venham a ser pedidas à UMP para recuperar, adiantando que o fundo vai ter, no global, cerca de 3,2 milhões de euros graças ao compromisso da Fundação Calouste Gulbenkian em pagar metade do valor das obras.