A candidatura portuguesa do fabrico de chocalhos a Património Cultural Imaterial da Humanidade, pela UNESCO, obteve parecer positivo da comissão internacional de especialistas do organismo.

“Trata-se de um parecer que considera exemplar o projeto que apresentámos, o que constitui para nós um motivo de satisfação e orgulho”, disse à agência Lusa o presidente da Turismo do Alentejo e Ribatejo, António Ceia da Silva.

Portugal candidatou este ano à Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) a inscrição do fabrico de chocalhos como Património Cultural Imaterial da Humanidade com Necessidade de Salvaguarda Urgente.

O processo, coordenado pelo antropólogo Paulo Lima, é liderado pela Turismo do Alentejo e Ribatejo, em colaboração com a Câmara de Viana do Alentejo e a Junta de Freguesia de Alcáçovas, mas tem âmbito nacional.

O pedido de inscrição só vai ser apreciado e votado pela UNESCO na 10.ª reunião do Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, marcada para a Namíbia, entre 30 de novembro e 04 de dezembro.

Contudo, à semelhança do cante alentejano, no ano passado, que acabou por ser inscrito como Património Cultural Imaterial da Humanidade, a candidatura da arte chocalheira já obteve parecer positivo e foi considerada exemplar pela comissão de especialistas da UNESCO.

“Ainda é apenas um parecer técnico e vamos aguardar com serenidade a votação do dossiê, na Namíbia”, mas suscita “a esperança de que a candidatura possa ter um desfecho positivo, idêntico ao do cante”, afirmou Ceia da Silva.

Se tal acontecer, frisou, o Alentejo pode ganhar, “em dois anos seguidos, dois galardões de reconhecimento universal”, pois, apesar do cariz nacional do dossiê, é na região alentejana que ainda existem mais fabricantes de chocalhos, mantendo-se Alcáçovas como “capital” desta arte.

“A Entidade Regional de Turismo tem feito uma aposta muito grande na valorização dos aspetos identitários, que considera serem decisivos na afirmação do destino turístico”, pelo que “esperamos que, da Namíbia, soem bons ventos e boas notícias”, disse Ceia da Silva.

O coordenador da candidatura, Paulo Lima, também explicou à Lusa que este parecer “é meramente indicativo, não é vinculativo”, mas realçou que as recomendações costumam ser seguidas pelo comité intergovernamental da UNESCO.

“A tradição manda que seja respeitada a recomendação do grupo de peritos que faz a avaliação dos dossiês. O que é indicado [por esta comissão], em princípio, é inscrito”, frisou.