A linha telefónica gratuita para prevenir suicídios na Guarda Nacional Republicana recebe, em média, entre duas e três chamadas por semana de militares que pedem apoio, disse esta quarta-feira o responsável pelo Centro de Psicologia e Intervenção Social da GNR, informa a Lusa.

No final de uma assinatura de protocolos que vão permitir que elementos das forças de segurança em risco de suicídio sejam encaminhados para os Serviços Locais de Saúde Mental, o major Ilídio Canas adiantou que os militares da GNR relatam, nas chamadas telefónicas, os sintomas que estão a sentir no seu dia-a-dia, como problemas com o sono, alimentação, apetite e alguma irritabilidade.

«Se a situação ocorre num período mais longo, os casos são encaminhados para os técnicos de saúde mental da GNR. Caso seja pontual, a situação será acompanhada», afirmou.

Até agora, os militares considerados em risco de suicídio eram encaminhados e acompanhados pelos psiquiatras da GNR existentes em Lisboa e no Porto. Com o protocolo, os agentes vão ter acesso local a esses profissionais.

O major Ilídio Canas disse também que os comandantes dos destacamentos e dos postos da GNR estão a receber formação para que consigam detectar no terreno alguns sintomas e façam a ponte com o gabinete de psicologia.

Os protocolos, celebrados entre a PSP, a GNR e o Alto-Comissariado da Saúde, estabelecem a criação de um sistema de referenciação e de encaminhamento dos militares da GNR e dos agentes da PSP considerados em risco de suicídio para os Serviços Locais de Saúde Mental.

Em 2008 houve um aumento do número de suicídios de elementos das forças de segurança. Segundo o Comando-Geral da GNR, em 2008 suicidaram-se 12 militares da Guarda Nacional República e este ano o número de suicídios é já de quatro. Na PSP, os números são inferiores. No ano passado suicidaram-se quatro agentes da PSP, de acordo com fonte policial.