A contratação de mais 45 enfermeiros anunciada pelo ministro da Saúde para o Algarve «é manifestamente insuficiente» para colmatar as carências na região, defendeu hoje o coordenador regional do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses.

Nuno Manjua disse que o anúncio feito pelo ministro Paulo Macedo na quarta-feira, no parlamento, já «não é novo» e «apenas sublinhou» outro que tinha sido feito pela Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve, em maio passado.

«O ministro disse que ia haver um reforço para o Algarve, mas isto não pode ser considerado um reforço porque os 45 enfermeiros cuja contratação foi anunciada são só para o Centro Hospitalar do Algarve (CHA) e não chegam para repor os 60 enfermeiros que saíram e não foram substituídos», afirmou o coordenador do Sindicato dos Enfermeiros no Algarve.

Nuno Manjua frisou que o Algarve precisa de um total de «350 enfermeiros» para colmatar as faltas de recursos humanos em todos os serviços, segundo dados «calculados pelo sindicato com base em números oficiais», e que «até o presidente da ARS do Algarve já disse que faltam 169 profissionais».

O sindicalista lamentou que continue o «diferendo» entre a ARS e o Centro Hospitalar do Algarve (CHA) sobre quem tem a responsabilidade da contratação de recursos humanos para os Serviços de Urgência Básica (SUB) da região, que disse ter sido atribuída ao CHA por «um despacho de maio do secretário de Estado Adjunto do ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa».

Nuno Manjua disse que o sindicato pensou que a questão da responsabilidade sobre os SUB do Algarve - Vila Real de Santo António, Loulé e Albufeira - «iria ser resolvida,» mas até ao momento a ARS continua a dizer que a contratação tem que ser feita pelo CHA, enquanto o Centro Hospitalar que só pode ter essa competência se a ARS também transferir o respetivo envelope financeiro.

«Aquilo que se continua a verificar é que nenhum dos três SUB tem o número de enfermeiros previsto nos mapas de pessoal, que deveria ter 16 enfermeiros em cada», frisou.

Nuno Manjua considerou que «a situação se tem vindo a agravar, com recursos humanos que vão saindo e não são substituídos», e os SUB estão a funcionar com «enfermeiros da ARS, alguns cedidos pelo CHA e com colegas de vários serviços que vão lá fazer turnos extraordinários para tentar compensar» as faltas de recursos humanos.

«Isto coloca vários problemas aos profissionais: não se respeitam as regras relativas aos horários, estamos a fazer 15/16 dias seguidos sem folgar, muitos desses dias são de 16 horas de trabalho e fazem-se dois turnos de seguida», criticou, frisando que «é uma complicação» tratar de questões administrativas «porque é dito que o CHA tem que dar o seu parecer, o CHA diz que não tem nada a ver com os enfermeiros e a ARS não responde».

«É um problema grave, que não dá resposta às situações dos profissionais, os utentes têm tempos acrescidos de espera e não são atendidos nas melhores condições, porque os enfermeiros e os outros profissionais estão cansados e não dão a resposta que poderiam dar», observou.