A Urgência Básica de Loulé abriu o turno da manhã desta sexta-feira apenas com um médico e com falta de material motivando nova contestação pelos autarcas de Loulé e São Brás de Alportel e representantes de médicos e enfermeiros.

Em conferência de imprensa realizada à porta daquele serviço de saúde, o presidente da Câmara de Loulé, Vítor Aleixo, lembrou que menos de 48 horas da promessa da Administração Regional de Saúde (ARS) de que o serviço iria funcionar sem falhas, voltou a haver falta de pessoal e de material.

«Esta é uma situação que verdadeiramente receamos e tememos que a verdadeira intenção seja de facto o encerramento das urgências do Centro de Saúde de Loulé, Albufeira e eventualmente outras», afirmou Vítor Aleixo.

Receio partilhado pela representante do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, Guadalupe Simões, que admitiu a possibilidade de haver uma agenda oculta para o encerramento das urgências básicas por via da degradação dos serviços.

Aquele serviço de urgência serve a população de Loulé e São Brás de Alportel, concelhos que totalizam mais de 81 mil habitantes.

Perante a persistente falta de pessoal e material e as constantes promessas de que situação vai ser resolvida, os autarcas de Loulé e São Brás de Alportel disseram já não ter confiança, garantem que vão continuar a protestar e apelam à mobilização da população.

O Sindicato dos Enfermeiros exige que o ministro da Saúde venha ao Algarve explicar as razões porque a qualidade dos serviços e a acessibilidade à saúde na região têm vindo a diminuir.

O presidente do Conselho Distrital da Ordem dos Médicos, Ulisses Brito, disse prever que a falta de profissionais nos serviços de urgência básica se prolongue por mais tempo, vincando que a situação afeta a população, os profissionais de saúde e vai sobrecarregar as urgências hospitalares.

Desde há vários meses que têm vindo a público notícias de rutura de pessoal e material no Serviço de Urgência Básica (SUB) de Loulé. Nesta terça-feira, o SUB esteve impedido de abrir entre as 08:00 e as 09:15 por falta de médicos, situação que se repetiu na quarta-feira das 08:00 às 11:20, confirmou a Lusa no local.

Segundo a representante Guadalupe Simões, também não há enfermeiros suficientes para fazer face a períodos de férias ou doença dos profissionais que trabalham naquele serviço.

Na quinta-feira, o presidente da ARS do Algarve, João Moura Reis, havia garantido à Lusa que as falhas ocorridas esta semana tinham ocorrido por uma falha de serviço da empresa contratada para o fornecimento de serviços médicos entretanto substituída.

O mapa de pessoal do SUB de Loulé contempla 11 médicos, 16 enfermeiros, seis assistentes técnicos e seis assistentes operacionais, mas de acordo com um comunicado divulgado pelos deputados do PCP, tem atualmente sete enfermeiros, mais dois cedidos pelo Centro de Saúde de Loulé desde 01 de junho, dois assistentes técnicos e quatro assistentes operacionais.