O presidente do Sindicato Nacional dos Oficiais de Polícia disse hoje que «foram precipitados» e «uma reação espontânea» os aplausos dos polícias que estavam nas galerias do parlamento, avançando que a luta está a agora a começar.

Durante a apresentação do Orçamento do Estado (OE) para 2014, do setor da segurança interna, o ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, afirmou que a PSP vai passar a ser um corpo especial da administração pública, anúncio que foi aplaudido pelos polícias que estavam nas galerias da Assembleia da República a assistir ao debate.

Em declarações à agência Lusa, o presidente do Sindicato Nacional dos Oficiais de Polícia (SNOP), comissário Henrique Figueiredo, afirmou que os aplausos foram «precipitados», considerando que foi uma «reação espontânea», mas «não a mais adequada».

O comissário Henrique Figueiredo, porta-voz dos vários sindicatos da PSP que hoje organizaram a jornada de luta, explicou que «os polícias há muito que anseiam» a criação de um regime de exceção dentro da função pública e «viram nas palavras do ministro uma luz ao fundo do túnel».

O presidente do SNOP sublinhou, no entanto, que «não há nada em concreto», necessitando o anúncio do ministro Miguel Macedo de ser explicado e o que «em concreto» vai contemplar.

Os polícias querem que o novo regime especial tenha em consideração, entre outros pontos, a idade da aposentação, o sistema de saúde e o horário de trabalho, adiantou.

Os 10 sindicatos de polícia que, numa iniciativa inédita, assistiram ao debate na AR entregaram também hoje um memorando à presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, para exigirem que passem a ter uma carreira especial, tendo em conta a sua condição de polícia.

À tarde, e junto às câmaras municipais das capitais de distrito, o mesmo documento foi entregue aos presidentes dos municípios.

O presidente do SNOP acrescentou também que a luta dos polícias «ainda não terminou, estando agora a começar».

Alguns sindicatos de polícia não gostaram dos aplausos nas galerias da AR, afirmando que não refletem o sentimento generalizado dos polícias.