Profissionais e utentes da Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano (ULSLA) exigiram hoje melhorias nos serviços, numa concentração realizada junto ao hospital em Santiago do Cacém.

Algumas dezenas de pessoas concentraram-se esta terça-feira à tarde junto ao Hospital do Litoral Alentejano, em Santiago do Cacém, para protestarem contra a «degradação» dos serviços de saúde na zona, indicou, à Lusa, Egídio Fernandes, dirigente da União dos Sindicatos de Sines, Santiago do Cacém, Grândola e Alcácer do Sal.

O sindicalista considerou que a ação foi «extremamente positiva», não só pela adesão da população, mas também por os representantes sindicais e dos utentes terem sido recebidos pela administração da ULSLA, numa reunião que durou mais de uma hora.

Os principais problemas apontados prenderam-se com a falta de profissionais, seja médicos, enfermeiros ou assistentes operacionais, e com o encerramento de várias extensões de saúde nos cinco concelhos abrangidos pela ULSLA (Alcácer do Sal, Grândola, Odemira, Santiago do Cacém e Sines).

Helena Neves, dirigente do Sindicato dos Enfermeiros, referiu à Lusa que a falta destes profissionais no hospital «põe em risco a segurança dos utentes», e aponta o exemplo do serviço de Cirurgia Ambulatória, onde «estão dois enfermeiros a fazer o trabalho de cinco».

Segundo a responsável, os enfermeiros entram ao serviço sem saber a que horas vão sair, o que provoca «cansaço e desgaste», existindo «feriados por gozar desde 2010».

«Queremos mais colegas, para assegurar a segurança dos utentes e o direito ao descanso», afirmou Helena Neves.

A Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do Litoral Alentejano, representada por Dinis Silva, exigiu também mais profissionais de saúde, bem como a «reabertura» das extensões de saúde encerradas recentemente e o início da construção do Centro de Saúde de Sines, entre outras reivindicações.

Contactada pela Lusa, a administração da ULSLA informou que, atualmente, faltam «cerca de 50 médicos, de diversas especialidades clínicas», e existem «carências de recursos humanos em quase todos os grupos profissionais».

A ULSLA fez «inúmeras propostas de contratação» à Administração Regional de Saúde do Alentejo, mas apenas «algumas» foram já autorizadas, como dois cirurgiões, enfermeiros e terapeutas.

«Outras propostas de contratação aguardam decisão superior de autorização ou estão a ser priorizadas, como é o caso de 33 assistentes operacionais», indicou a entidade.

A presidente da ULSLA, Maria Joaquina Matos, frisou que a instituição não tem capacidade para substituir um trabalhador «de imediato» quando é necessário, como em situação de doença, sendo necessário recorrer ao trabalho suplementar dos profissionais que estão de serviço, pedindo-lhes um «esforço adicional».