Atualizado às 15:59

Centenas de trabalhadores, reformados e famílias participam hoje em ambiente de festa nas comemorações do 1º de Maio promovidas pela UGT em Belém, Lisboa, com menos afluência que em anos anteriores, segundo alguns assíduos.

«Uma colega minha de 78 anos já anda a lavar escadas»

«É verdade que o recinto é muito amplo, mas eu, que sou assíduo desde o primeiro dia, vejo menos gente. E muito será por haver menos poder de compra», afirmou à Lusa Alexandre Crespo, da União dos Bancários do Norte, que veio de Chaves de propósito para as comemorações em Lisboa.

À hora do almoço, o palco era ocupado pela Filarmónica de Figueiró dos Vinhos, que executou desde músicas de Carlos Paião até ao «Grandola, Vila Morena».

Sentada ao sol, protegida apenas com um boné da UGT, Maria Emília Botas também nota menos pessoas na festa do 1º de Maio e avança com a mesma explicação da falta de dinheiro para a viagem, lembrando que «antigamente vinham autocarros e autocarros de gente».

Afirmando-se «triste» com a situação do país, María Emília Botas, reformada da Função Pública questionou «para onde foi dinheiro da CEE» e disse que não está satisfeita «nem com este governo nem com nenhum antes deste».

No entanto, isso é mais uma razão para se deslocar a Belém para comemorar o 1.º de Maio: «Ainda temos a liberdade, mas há muitas pessoas que nem dinheiro tem para viver».

Mais afastado do palco e a ladear o recinto estavam montados os expositores dos sindicatos afetos à UGT, mas à hora do almoço os trabalhadores e famílias concentravam-se nas filas para as bifanas, oferecidas pela organização.

Os dirigentes nacionais da União Geral de Trabalhadores deverão ser chamados a discursar perto das 16:00.

Centenas preparam-se para manifestação da CGTP

Também em Lisboa, mas no centro da capital, centenas de pessoas estão concentradas, no largo do Martim Moniz, para iniciar a manifestação comemorativa do Dia do Trabalhador até Alameda D. Afonso Henriques, organizada pela CGTP-Intersindical.

Alguns manifestantes ostentam cravos vermelhos e empunham a bandeiras nacionais, e da CGTP-IN, assim como cartazes críticos da situação socioeconómica portuguesa.

«Mãe se eu roubar vou para o inferno? Não filho vais para o Governo», lê-se num dos cartazes empunhados pelos manifestantes.

Numa outra faixa lê-se: «No campo já não há lobos. No Governo são alcateias. Roubaram as reformas e ficam com as mãos cheias».

Um grupo de manifestantes chegou mesmo a colocar num espeto um coelho esfolhado, numa alusão ao atual chefe do Governo, Pedro Passos Coelho.

Entre os manifestantes encontra-se o grupo Amarantinos, de bombos e gigantones, vindos de Vialonga.

Na concentração no Martim Moniz, o líder da CGTP-IN, Arménio Carlos, em declarações aos jornalistas, considerou que «Portugal só tem futuro com uma nova política e um novo Governo».

Arménio Carlos explicou que as palavras de ordem da manifestação só podem estar relacionadas com o emprego e os horários de trabalho, porque é a principal questão que preocupa os portugueses.