O Movimento de Utentes da Saúde defendeu esta quarta-feira que a situação se agrava a cada dia para quem recorre ao serviço de cuidados públicos e considerou que relatórios feitos sem ouvir todas as partes resultam em «falta de realismo».

Estas declarações surgem na sequência dos elogios feitos pelo Comité de Política Social da União Europeia às reformas nana saúde e nas pensões de reforma, em Portugal, apesar de contrapor a necessidade de garantir uma adequada cobertura da assistência social.

À agência Lusa, Manuel Villas-Boas, do Movimento de Utentes, contesta o otimismo da UE:

«Aquilo que verificamos em Portugal é que a situação se agrava, e é curioso porque ainda ontem (terça-feira) tivemos oportunidade, e hoje também, de assistir a protestos das populações porque umas não têm médico de família, outras tinham o Centro de Saúde a funcionar, mas deixou de funcionar por falta de médicos».

«Dá ideia que as pessoas que fizeram esse relatório não andaram no terreno a ver aquilo que efetivamente se passa»


De acordo com os relatores, a reforma do sistema de saúde «continua a produzir resultados”» A DGS adiantou que a avaliação decorreu nos dias 24 a 26 de março, na Comissão Europeia, em sede conjunta do Comité de Proteção Social e do Grupo de Alto Nível de Saúde Pública do Conselho Europeu.

«Pode vir o senhor ministro da Saúde dizer que está tudo bem, mas o que é certo é que ainda ontem se mostrou muito constrangido relativamente a uma estatística do INE que nos dizia que, em 10 anos, os serviços de urgência nos centros de saúde passaram de 276 para 94 unidades e portanto não percebo como é que um relatório de um organismo responsável da União Europeia pode passar por cima destas dificuldades todas sem uma palavra», acrescentou o representante dos utentes.

Os utentes querem, por isso, ser ouvidos quando estiverem em causa avaliações aos serviços públicos, contrapondo que se essa informação não for recolhida os relatórios não refletem toda a realidade, mas apenas um lado, que «será o mais conveniente».

No entendimento dos analistas, da situação portuguesa – Dinamarca e Comissão Europeia – as «mudanças no setor hospitalar» e a «otimização de custos» permitiram poupanças.

«Não vamos à situação real do sistema de saúde em Portugal e aí é que deviam incidir os cuidados», disse Manuel Villas-Boas.

Reformados estranham elogios

A presidente da Associação de Pensionistas e Reformados (APRE!) também estranhou o elogio europeu e considerou, pela voz de Maria do Rosário Gama, que os dados avançados deixam algumas dúvidas, embora reconheça as poupanças que foram feitas.

«Há, e houve, poupança, mas à custa da saúde dos portugueses. Toda a gente fala na degradação do Serviço Nacional de Saúde (SNS), no atendimento. Quem tem ADSE recorre às clínicas privadas, em vez de ir aos hospitais públicos, pois pagam menos. São situações que deixam algumas dúvidas quanto à veracidade com que o relatório foi feito»


Maria do Rosário Gama atestou ainda que «o panorama das pensões em Portugal é de miséria e de desgraça, porque a maior parte dos pensionistas tem pensões muito baixas. Não faço ideia em que dados é que se basearam para falar disso».