Os taxistas em protesto contra a empresa de serviço de transporte privado Uber partiram às 09:30, em marcha lenta, do Campus de Justiça, no Parque das Nações, onde antes do início da marcha o ambiente esteve calmo apesar do forte dispositivo policial.

Desde as 08:00 que dezenas de taxistas estavam concentrados no Campus da Justiça em protesto contra o transporte de passageiros por condutores ligados à empresa de serviço de transporte privado Uber.

A marcha lenta passou pelo aeroporto, Rotunda do Relógio, Avenida Almirante Gago Coutinho, Avenida Estados Unidos da América, Entrecampos, Avenida da República, Avenida Fontes Pereira de Melo, Avenida da Liberdade, Rossio, Rua do Ouro, Câmara de Lisboa, Avenida 24 de julho e Rua D. Carlos I até chegar à Assembleia da República.

Os taxistas começaram a concentrar-se às 13:45 em frente à escadaria principal da Assembleia da República, que está vedada por um gradeamento, encontrando-se dezenas de polícias nas escadas.

No local estão, também, dezenas de polícias a controlar a manifestação e a controlar o trânsito, e junto ao parlamento estão várias carrinhas da PSP.

Na Assembleia da República, os trabalhadores foram ouvidos pela Comissão de Economia. Os dirigentes das associações de táxis que se reuniram esta tarde com o presidente da comissão ameaçaram, no final do encontro, não abandonar os protestos junto ao parlamento até serem recebidos por um membro do Governo.

Será essa a proposta [não abandonar o protesto] que vamos discutir com os nossos colegas até chegar um membro do Governo que responda às nossas preocupações", disse Carlos Ramos, da FPT - Federação Portuguesa do Táxi, que falava aos jornalistas no interior do parlamento depois de ter sido recebido por Hélder Amaral, deputado do CDS-PP que preside à comissão parlamentar de Economia.

No encontro esteve também a vice-presidente da comissão Hortense Martins, do PS, e a chefe de gabinete do Presidente da Assembleia da República, Maria José Ribeiro.

Pela ANTRAL - Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários, Florêncio Almeida definiu como "inaceitável" a manutenção da Uber, visto a empresa estar, advoga, "proibida pelos tribunais de funcionar em Portugal".

Da nossa parte não aceitamos que isto possa continuar", prosseguiu o responsável.

Antes de chegarem à AR, os dirigentes das associações representativas dos taxistas reuniram com o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, com quem ficaram satisfeitos uma vez que este, dizem, se mostrou “completamente solidário” com a luta destes profissionais de transporte.

O presidente está completamente solidário com a nossa luta. É um incentivo moral receber frases como as que nos endereçou”, disse aos jornalistas Florêncio de Almeida.

A PSP aconselhou os lisboetas a andarem de transportes públicos para evitarem os congestionamentos de trânsito previstos.

Manifestação de Norte a Sul

O protesto foi também a ser realizado no Porto e em Faro.

No Porto, várias centenas de taxistas deram início à marcha lenta pelas 09:30 na praça Gonçalves Zarco, no Porto, saindo da marginal do Porto, passando pela zona da Ribeira, seguindo depois até aos Aliados, junto à Câmara do Porto, onde os taxistas serão recebidos pelo presidente da Câmara, Rui Moreira.

O presidente Rui Moreira veio receber os representantes locais das duas associações que organizaram o protesto à porta de entrada da Câmara Municipal do Porto e acenou aos taxistas recebendo um forte aplauso.

Em declarações à Lusa, José Monteiro, vice-presidente da Antral, afirmou que Rui Moreira “é um homem de convicções fortes. Vamos pedir para intervir junto da tutela utilizando a sua influência”.

Já em Faro, cerca de 120 táxis concentraram-se unto ao Estádio do Algarve, tendo iniciado às 09:05 uma marcha lenta, até à câmara de Faro, de protesto contra a Uber e outros meios de transporte ilegais.

O problema são os transportes ilegais e alguns dos nossos colegas taxistas também alinham nessas práticas”, disse à Lusa Joaquim Charneca, um profissional do ramo que trabalha em Lagoa.

As largas centenas de milhares de turistas que o Algarve recebe todos os anos levam a que sejam muitos os que oferecem meios de transporte alternativos, principalmente a partir do Aeroporto Internacional de Faro.

Os vários taxistas com quem a Lusa falou não têm provas de que a Uber já esteja instalada no Algarve, mas todos acreditam “que não falta muito”.

“O objetivo da nossa manifestação é dar o máximo de informação às pessoas para que compreendam a nossa luta”, disse António Pinto, delegado da Antral no distrito de Faro.

Pequenas e médias empresas ao lado dos taxistas contra a Uber

A Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas (CPPME) manifestou hoje solidariedade aos taxistas, apoiando o protesto que hoje realizam em Lisboa, Porto e Faro contra o serviço de transporte privado Uber.

Em comunicado, a CPPME, que tem a Federação Portuguesa do Táxi (FPT) como associada, manifestou “a todos os taxistas envolvidos na jornada de luta que hoje tem expressão maior, com as manifestações de Lisboa, Porto e Faro, toda a sua solidariedade e identificação com as justas reivindicações pelas quais estão a lutar”.

A confederação destacou que a indústria do táxi “é desenvolvida por milhares de micro e pequenas empresas (na sua maioria familiares), que exercem uma atividade a todos os títulos de utilidade pública na área dos transportes de passageiros, que não pode ser destruída pela ganância de uma qualquer multinacional ou pela inoperância do Governo da República”.

A organização considera que a FPT e a Antral - Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros “têm razão quando afirmam que a Uber atua à margem da lei e, por esse facto, deve ser reprimida, tal como qualquer outra organização que não respeite as leis da República Portuguesa”.

Qual a razão do protesto?

Esta iniciativa, organizada pela Antral - Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros e pela FPT - Federação Portuguesa do Táxi, é o culminar de uma semana de luta destas duas associações para pressionar o Governo a suspender a atividade da Uber.

O serviço de transporte Uber permite chamar um carro descaracterizado com motorista privado através de uma plataforma informática, que existe em mais de 300 cidades de cerca de 60 países.

Num manifesto entregue ao Governo este mês, as associações apelam à população para se solidarizar na “luta contra a Uber” e afirmam que o serviço é ilegal porque não se “submete às regras legais que em Portugal disciplinam a atividade do transporte em táxi”.

A Uber afirma, contudo, que todos os seus parceiros são licenciados e “devidamente escrutinados” e admite que a empresa pode começar a distribuir serviços para táxis em Lisboa e no Porto, à semelhança do que já faz noutras cidades estrangeiras.

Na véspera deste protesto, a plataforma informou que o serviço poderá ser hoje afetado por congestionamentos do trânsito.