Os representantes dos taxistas comunicaram hoje que saíram de "mãos vazias" após reuniões com a chefe de gabinete do presidente da Assembleia da República e com vários grupos parlamentares e apelaram aos profissionais para não desmobilizarem.

Perante dezenas de taxistas que se encontram concentrados junto às escadarias da Assembleia da República, em protesto contra a empresa de serviço de transporte privado Uber, os presidentes da Federação Portuguesa do Táxi (FPT) e da Associação Nacional de Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL) afirmaram que as reuniões mantidas durante esta tarde não trouxeram resultados positivos.

Da minha parte, tenho que vos dizer que levo as minhas mãos vazias, zero, nada", afirmou o presidente da ANTRAL, Florêncio Almeida.

O presidente da FPT, Carlos Ramos, alinhou pela mesma opinião: "Trouxemos uma mão cheia de nada", lamentou.

De acordo com os representantes dos taxistas, nas reuniões com os grupos parlamentares do PCP, Bloco de Esquerda e PSD foi-lhes manifestada solidariedade e os partidos "pediram para esperar um mês para terem uma posição", tempo que coincide com a petição apresentada pelos taxitas.

A solidariedade mostrada por estes partidos é muito pouco face à gravidade dos problemas que o setor atravessa hoje", sustentou o presidente da FPT.

Os dois dirigentes informaram que ainda iam ser hoje recebidos com o grupo parlamentar do PS.

Em função desta reunião, os taxistas vão depois decidir medidas a tomar.

Devemos ir comprar umas sandes, deixarmo-nos ficar por aqui e refletir um pouco sobre aquilo que vamos fazer depois da reunião com o PS", sustentou Carlos Ramos, cerca das 17:00.

A marcha lenta de taxistas chegou hoje ao parlamento às 13:45, encabeçada pelos dirigentes das duas associações de táxis que convocaram a contestação.

Em Lisboa, os taxistas em protesto contra a empresa de serviço de transporte privado Uber partiram às 09:30, em marcha lenta, do Campus de Justiça, no Parque das Nações, em direção ao aeroporto de Lisboa.

A marcha lenta, com destino à Assembleia da República, passou pelo aeroporto, Rotunda do Relógio, Avenida Almirante Gago Coutinho, Avenida Estados Unidos da América, Entrecampos, Avenida da República, Avenida Fontes Pereira de Melo, Avenida da Liberdade, Rossio, Rua do Ouro, Câmara de Lisboa e Avenida 24 de Julho.

Esta iniciativa é o culminar de uma semana de luta destas duas associações para pressionar o Governo a suspender a atividade da Uber.

O serviço de transporte Uber permite chamar um carro descaracterizado com motorista privado através de uma plataforma informática, que existe em mais de 300 cidades de cerca de 60 países.

O protesto de taxistas decorreu também no Porto e em Faro.