Cerca de duas centenas de taxistas cortaram esta sexta-feira o trânsito da Avenida dos Aliados, no Porto, para "chamar a atenção do poder político" e apelar ao cumprimento da Lei 35/2016 contra o transporte ilegal de passageiros.

A marcha lenta convocada pela Comissão dos Profissionais de Táxi do Porto teve início na Rotunda do Castelo do Queijo, dirigindo-se para a Praça do Município. O protesto começou com cerca de uma centena de táxis, mas foi engrossando ao longo do percurso atingindo cerca de duas centenas no final.

Os carros chegaram à Avenida dos Aliados cerca das 19:45, uma hora depois do início da marcha, e só desmobilizaram após as 21:00, depois de entoadas frases como "A luta continua" ou "Os ilegais [referindo-se a plataformas de transporte de passageiros como a Uber ou a Cabify] são uma vergonha" e "Não nos calaremos".

Há uma grande preocupação em relação ao presente e ao futuro do setor do táxi por causa do aparecimento das plataformas [de transporte de passageiros]. São ilegais. Os tribunais decretaram a ilegalidade das plataformas, o IMT [Instituto da Mobilidade e dos Transportes] e a AMT [Autoridade da Mobilidade e dos Transportes] decretaram a ilegalidade das plataformas, mas o poder político tem feito esforços para passa-las a legais", acusou Pedro Vila, da Comissão dos Profissionais de Táxi do Porto, ouvido pela agência Lusa.

O taxista disse não perceber como é que a Uber ou a Cabify "continuam a operar livremente", acusando-as de contribuírem para o empobrecimento do setor do táxi.

Fazem com que tenhamos menos trabalho e menos formas de sobreviver. E existe a Lei 35/2016 que não está a ser cumprida e serviria como efeito dissuasor", disse o porta-voz da comissão.

Já João Paulo Ferreira, motorista de táxi desde há 23 anos, criticou a "passividade das autoridades e do poder político" e disse "nem ser contra a concorrência, desde que essa seja legal".

Se cumprirem as mesmas regras e pagarem os mesmos impostos, tudo bem. Se forem beneficiados, não", sintetizou.

Ao lado, Idalina Sousa, motorista de táxi há quatro anos, disse ter visto o seu seguro aumentado de 403 para 980 euros/ano sob o argumento de que "o transporte de passageiros tem de ser seguro, logo a taxa cara", mas disse que o mesmo não acontece com as plataformas.

É uma vergonha. Muitos dos encargos que temos para eles são zero", referiu.

Sempre supervisionados pela PSP, os táxis chegaram ao centro do Porto a buzinar e com bandeiras nas quais se lia "Somos Táxi" e "Proibido a ilegais!", tendo circundado a avenida, parando o trânsito.