A vereadora da Câmara de Lisboa Helena Roseta, responsável pelo Programa Local de Habitação (PLH), sugeriu esta sexta-feira a utilização de casas municipais vazias para «hotéis low-cost», noticia a Lusa.

«Temos em Lisboa, na zona da Baixa, um hotel deste género que é já considerado o melhor do mundo. Porque não aproveitar esta oportunidade com o património municipal?», questionou a vereadora à margem da conferência «(Re)Habitar Lisboa», que decorre no Teatro Aberto.

Também usados em caso de emergência

Para Roseta, estes «hotéis sociais» poderiam ser usados para casos de emergência em que a autarquia tem de realojar as pessoas ou até mesmo para jovens universitários e restante população flutuante.

«A Câmara tem encargos enormes com pessoas de tem de realojar de emergência, alojando-as em pensões e esta era uma hipótese também para estes casos», disse.

«Estes espaços teriam de ter serviços de apoio mínimos, mas essa é outra oportunidade até para gerar emprego. Deve haver interessados em explorar espaços deste género», acrescentou.

É um modelo que vale a pena estudar

Questionado pelos jornalistas sobre esta hipótese, o vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, afirmou que esta ideia seria mais fácil de aplicar em património privado ou de instituições, explicando que «o municipal está todo orientado».

«Municipais são mais de 300 prédios e destes há uma parte significativa que é para abater. Há edifícios no bairro Padre Cruz que serão substituídos na operação que ali se vai fazer e há outros para abater porque não têm condições», afirmou o vereador.

«Há ainda outros que estão identificados e estão neste momento no Departamento Municipal do Património Imobiliário para verificar registos e para serem lançados para programas como as residências universitárias e o Casa Própria», adiantou.

De qualquer forma, adiantou, «é um modelo que vale a pena estudar. Há interesse em ter low-cost e todas as ideias são boas. Tudo o que for para sair do quadrado é construtivo», acrescentou Manuel Salgado.

Monitorização é fundamental

Na primeira parte da conferência, participou igualmente a directora do Departamento de Planeamento Estratégico da Câmara de Lisboa, Teresa Craveiro, que também pertence à equipa do PLH, que chamou a atenção para as falhas na resolução do problema das Áreas Críticas de Reconversão e Recuperação Urbanística (ACRRU).

«Elas nem sempre estiveram acompanhadas dos planos necessários e não há vantagem em ter este instrumento se depois não se monitorizar», adiantou a directora.

A responsável sublinhou ainda que a substituição dos antigos Gabinetes de Apoio Local, que trabalhavam directamente com as juntas de freguesia, pelas Unidades Operativas de Planeamento (UOP), que só acompanham a obra, passando a gestão para o município, também não ajudou as operações de reabilitação urbana.

A conferência «(Re)Habitar Lisboa» marca o arranque da segunda fase do PLH, que deverá estar concluído em Junho.

Durante a tarde vão participar no encontro especialistas internacionais que mostrarão como países como o Brasil e o Reino Unido, resolveram alguns problemas de habitações degradadas e casas vazias.