Os trabalhadores da papeleira Soporcel, da Figueira da Foz, que iniciaram terça-feira um primeiro período de quatro dias de greve, vão manter as instalações seladas para impedir a entrada de matéria-prima e a saída de produto acabado.

Esta posição consta de um acordo com a direção fabril, que, no entanto, hoje recuou e pretende que, durante a greve, a unidade possa receber matéria-prima e escoar produto acabado, situação que não foi aceite após uma reunião de várias horas realizada durante a tarde.

«Apresentámos uma contraproposta que passa por reunir com alguém da administração até 30 de maio, para cedermos nessa exigência», disse hoje à agência Lusa Vítor Abreu, da Comissão Sindical e dos trabalhadores da empresa, acrescentando que está agendada nova reunião para quinta-feira às 10:00.

O objetivo, explicou, é reunir com a administração para «iniciar a negociação dos objetivos» que levaram à convocação da greve, cujo primeiro período de quatro dias teve início às 20:00 de terça-feira e se prolonga até às 24:00 de 31 de maio.

Em vigor está ainda um segundo pré-aviso de greve, a vigorar entre as 00:00 de 02 de junho e as 24:00 de 05 de junho.

Segundo Vítor Abreu, a fábrica mantém-se paralisada, exceto algum equipamento que se mantém em funcionamento por questões de segurança, com piquetes constantes e de «forma ordeira» nas instalações da fábrica papeleira.

O sindicalista adiantou ainda que a taxa de adesão à greve dos 683 trabalhadores da empresa se mantém na ordem dos 90%

Os trabalhadores da Soporcel protestam contra as alterações ao fundo de pensões que, de acordo com fonte sindical, passará do sistema atual, intitulado de «benefício definido» - a empresa contribui com 08% do salário dos trabalhadores e garante o capital do fundo - para um sistema de «contribuições definidas», em que a participação da empresa baixa para os 04% (podendo os colaboradores, voluntariamente, contribuírem com a percentagem que quiserem) mas o capital existente no fundo passa a depender das flutuações do mercado e outros aspetos.

Os trabalhadores alegam que com as novas regras vão ter um prejuízo de 40 a 60% nas pensões.

Fonte do gabinete de relações públicas do grupo Portucel Soporcel disse à agência Lusa que a administração «está disponível para o diálogo sobre todos os temas importantes para os seus colaboradores, mas que a greve impede um diálogo construtivo».

Numa nota enviada à imprensa, a empresa esclarece que «tem um parque industrial assente em três centros fabris, que permite satisfazer as encomendas dos clientes, reduzindo o impacto da paragem».

A unidade industrial da Soporcel em Lavos, que integra o grupo Portucel Soporcel, segundo maior exportador nacional em 2013, entrou em funcionamento em 1984 e desde essa data não havia registo da convocação de nenhuma greve dos trabalhadores.