O Movimento Cívico Abolicionista da Tauromaquia nos Açores (MCATA) alertou esta quinta-feira para as «trágicas consequências» das touradas à corda na região que resultam, «no mínimo» numa morte e «mais de 300 feridos graves e ligeiros» por ano.

A 21 de junho, um homem ficou «gravemente ferido» depois de ter sido colhido por um touro durante uma tourada à corda na ilha de São Jorge e acabou por falecer enquanto esperava por meios da Força Aérea para ser transferido para o hospital de Ponta Delgada.

Num comunicado, citado pela Lusa, o MCATA lamenta a morte do homem, de 62 anos, lembrando que «vem somar-se» à de outro homem, de 78 anos, na Graciosa, em 2013, e à de uma terceira pessoa, no Pico, em 2012.

O movimento apela às entidades para que «atuem sem mais demora».

«Todas estas mortes inúteis e todos estes numerosos feridos, graves ou ligeiros, poderiam ser facilmente evitados com a definitiva abolição das touradas nos Açores e a sua substituição por eventos culturais que, longe de cultivar a violência e a morte, fomentassem a alegria de viver e o respeito pelas pessoas e pelos animais», alerta.

Segundo o MCATA, «a trágica estatística das mortes nas touradas à corda na região situa-se, no mínimo, numa pessoa morta por ano» e o número de feridos graves e ligeiros nos Açores «estima-se em mais de 300 em cada ano».

Estes são os casos que chegam a ser conhecidos, «apesar de, no geral, raramente serem noticiados», alerta.

O MCATA aponta ainda para os animais que «chegam a morrer durante as touradas» e outros que «acabam gravemente feridos».

O movimento lamenta também que no caso de São Jorge a notícia tenha sido centrada «exclusivamente nas dificuldades da evacuação médica», o que não contesta, mas frisa que «muitas vezes não se chegue a referir que a causa primeira da morte foram os ferimentos ocasionados durante uma tourada».

«Porém, longe deste entendimento, as touradas à corda continuam a receber apoios públicos por parte do Governo Regional e das autarquias açorianas. Os governantes fecham os olhos à realidade e parecem varrer os mortos e os feridos para baixo do tapete», aponta o movimento, alegando que «não é admissível haver mais nenhuma morte nem mais feridos por causa das touradas à corda».