A companhia Teatro da Cornucópia anunciou que vai trabalhar com alunos de teatro e atores amadores no próximo espetáculo, «Ilusão», baseado em textos de Federico García Lorca.

«Perante as dificuldades que atravessa, o Teatro da Cornucópia procura encontrar formas novas de viabilizar o seu trabalho de criação de espetáculos, [e] resolveu desafiar os seus espectadores para uma situação de troca de serviços», adianta a companhia.

O novo espetáculo, «Ilusão», é construído a partir «de várias peças ou esboços do jovem Federico García Lorca, escritas entre os 21 e os 24 anos, e só publicadas em 1994», e será estreado em março do próximo ano.

Todos os interessados em participar podem enviar a sua candidatura até à próxima segunda-feira.

Os ensaios começam no dia 02 de janeiro, e a peça estará em cena «duas semanas e meia no início de março» no Teatro do Bairro Alto, sede da companhia.

Fonte do Teatro da Cornucópia disse à Lusa que foram já recebidas cerca de uma centena de candidaturas.

A companhia está disposta a aceitar de 12 a 30 pessoas, já que as peças escolhidas exigem 30 atores, mas a Cornucópia coloca a possibilidade de se duplicarem papéis.

Os textos escolhidos são «Ilusión», escrito entre 1921 e 1922, «Comedia de la carbonerita», de 1921, o poema «Sombra», de 1920, e «Del amor Teatro de animales», um poema dramático de 1919.

No comunicado, assinado por Luís Miguel Cintra, distinguido em 2005 com os Prémios Pessoa e Universidade de Coimbra, reconhece-se que esta forma de captação de atores «é um enorme risco, mas também um desejo de encontrar um entusiasmo de que julgamos todos precisar, nos tempos difíceis que atravessamos».

O Teatro da Cornucópia foi fundado há 40 anos por Luís Miguel Cintra e Jorge Silva Melo. Em maio passado, numa entrevista à Lusa, o encenador Luís Miguel Cintra dava conta da «situação complicadíssima» que a companhia vivia, tendo realçado que «foi importante a coerência de percurso» e a «seriedade» com que sempre encarou «o fazer teatro».

O encenador argumentou que o teatro que a companhia tem feito «está sempre contra a corrente», sem «perder algum sentido de intervenção política, de missão pública, que foi tendo significados diferentes ao longo do tempo, mas há sempre a ideia de fazer para o público e em função do público».

Cintra reconheceu que, atualmente, «os tempos são diferentes», e notou uma «menor disponibilidade da geração mais nova em abdicar de si, para se dedicar ao teatro».