«Tânia», de cinco anos, foi hoje eleita a «grande campeã» de 2014 do concurso, que elege as melhores vacas leiteiras dos Açores, considerado um dos melhores do país, fruto da aposta no apuramento genético dos animais.

«Utilizamos a melhor genética que existe a nível mundial. É um trabalho que está bem evidenciado, temos vacas ao nível das melhores do mundo», sublinhou o presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, em declarações aos jornalistas no final do concurso, que não hesita em considerar «o melhor do país» e um dos cinco melhores da Europa.

Sublinhando que um dos setores da agropecuária açoriana «onde melhor se tem trabalhado» é o da evolução genética das vacas produtoras de leite, Jorge Rita acrescentou que é, por outro lado, um «trabalho que tem sido acompanhado por muita formação».

«E também, essencialmente, pela grande apetência que os agricultores têm tido no sentido de melhorar geneticamente as suas explorações», acrescentou, destacando que os Açores «têm exportado genética» a nível dos embriões, «um caminho» que poderá tornar-se num «negócio muito interessante para a região».

A vaca «Tânia», da Exploração Irmãos Rita, tornou-se hoje a «grande campeã» deste XIII Concurso Micaelense da Raça Holstein Frísia, um feito que se consegue com um «trabalho de muitos anos, de bons cruzamentos genéticos», segundo os seus proprietários.

O resultado é uma vaca que consegue produzir mais de 13 mil litros de leite por ano, como aconteceu em 2013.

A aposta no apuramento genético desta raça fez com que, em 15 anos, aproximadamente, a produção de leite anual nos Açores duplicasse, passando de 300 milhões para 600 milhões, segundo revelou o presidente do Governo Regional na inauguração desta feira agrícola, na sexta-feira passada.

A qualidade genética das cerca de 90 mil vacas leiteiras que existem nos Açores, que produzem um terço do leite nacional, foi confirmada pelo juiz canadiano do concurso deste ano e pelo presidente da Associação Portuguesa dos Criadores da Raça Frísia, Carlos Diogo.

Considerando que este é «sem dúvida» o melhor concurso nacional a nível dos animais e dos expositores, Carlos Diogo afirmou que as vacas criadas nos Açores podem também «concorrer em todo o mundo», sendo «o culminar» do trabalho das associações agrícolas e dos criadores açorianos desenvolvido nos últimos anos.

No caso de José Luís Amorim, que hoje viu uma das suas novilhas ser eleita «jovem campeã», este é o resultado de décadas de vida dedicadas à criação de vacas produtoras de leite.

O criador, com 54 anos, andou na escola até à «sexta classe», mas depois dedicou-se a isto e «desde criança» que anda «sempre de roda das vacas».

«As minhas férias são os dias das feiras», disse à Lusa, sublinhando que uma vaca campeã se consegue com «melhoramento genético» através de «boas inseminações».

Semanas antes do concurso, as vacas que escolheu para apresentar começam a fazer uma «dietazinha», para «não comerem nem muito nem pouco» e «ficarem um pouco mais descarnadas», e começam a ser ensaiadas.

Este ano levou a concurso três novilhas e uma vitela. Regressa a casa «orgulhoso» das várias distinções que uma das novilhas conseguiu.

A Feira Agrícola Açores 2014 termina hoje, tendo este ano inaugurado o novo Parque de Exposições. A poucas horas do encerramento, Jorge Rita fez um balanço positivo desta edição, dizendo-se «convencido» de que teve uma das maiores afluências de sempre.