O ministro da Administração Interna deixou os polícias esta noite sem entenderem os motivos da demissão do diretor nacional da PSP e também sem resposta às reivindicações que levaram à manifestação de quinta-feira, segundo fonte sindical.

Paulo Rodrigues, secretário nacional da Comissão Coordenadora Permanente dos Sindicatos e Associações dos Profissionais das Forças e Serviços de Segurança, além de presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), comentou assim as declarações de Miguel Macedo, que hoje à noite classificou de «absolutamente inaceitáveis» os acontecimentos de quinta-feira no Parlamento.

Na quinta-feira milhares de profissionais das forças de segurança manifestaram-se em frente da Assembleia da República e forçaram uma barreira policial, subindo as escadarias até à entrada principal do Parlamento. Ilegal e não se pode repetir, disse hoje o ministro.

Em declarações à agência Lusa, Paulo Rodrigues admitiu que houve uma «atitude mais irrefletida» por parte dos manifestantes, mas acrescentou que «há muito mais por detrás» dessa atitude, pelo que é preciso uma resposta concreta à mobilização de quinta-feira.

Era isso que esperava ouvir hoje do ministro, declarou.

«Esperávamos da parte do ministro da Administração Interna uma clara mensagem aos polícias», uma «resposta que fosse ao encontro das suas reivindicações», disse Paulo Rodrigues, acrescentando que também não foi explicada por Miguel Macedo a demissão do diretor nacional da polícia, ocorrida hoje.

A manifestação de quinta-feira e as razões que estiveram na base da sua realização não tinham a ver ou eram da responsabilidade do diretor nacional, além de que as decisões tomadas no âmbito da segurança da manifestação foram as mais corretas, afirmou.

«Continuamos à espera de que o Governo seja objetivo e que dê uma resposta clara às reivindicações dos polícias», acrescentou.

Sobre o novo diretor nacional da PSP, o responsável salientou a grande experiência de Luís Farinha e disse esperar que o Governo lhe disponibilize «tudo o que é necessário» para responder às aspirações dos polícias e que tenha condições para desempenhar o papel para o qual foi indigitado.

Questionado sobre o papel de Luís Farinha como comandante das unidades especiais de polícia (envolvidas na manifestação de quinta-feira), Paulo Rodrigues frisou que os polícias tomaram as melhores decisões, porque impedir a subida da escadaria do Parlamento poderia ter levado à violência e a «um problema muito grave».

«Todos os que estavam a comandar a operação estiveram bem, fizeram-no com grande profissionalismo e com sentido de responsabilidade, bom senso e razoabilidade», concluiu.