O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) considerou esta quarta-feira que a proposta do Governo do Orçamento do Estado para 2014 (OE2014) «promove a continuação do empobrecimento» do país e «a política de emagrecimento» do Serviço Nacional de Saúde.

«O OE, em bom rigor, é mais um orçamento de ataque aos trabalhadores e aos pensionistas» e «promove a continuação do empobrecimento geral da população portuguesa», criticou esta quarta-feira à agência Lusa o presidente do SEP, José Carlos Martins.

De acordo com o responsável sindical, a proposta do Governo para o OE2014 é marcada por «mais cortes salariais» e «diminuições de rendimentos vários», o que implica que o rendimento líquido mensal disponível seja «cada vez menor».

O presidente do SEP prestou declarações à agência Lusa em Évora, depois de reunir com enfermeiros do Hospital do Espírito Santo, a propósito do segundo dia de greve nacional destes profissionais.

O OE2014, cuja proposta governamental foi entregue na terça-feira na Assembleia da República, está no centro desta greve, tendo José Carlos Martins feito várias críticas ao executivo PSD/CDS-PP.

O presidente do SEP lembrou que o país tem hoje «uma grave carência de enfermeiros» e que os que estão ao serviço «trabalham mais horas».

A proposta do OE2014 prevê cortes nos salários dos funcionários públicos de 2,5% a 12%, além de um crescimento económico de 0,8% e uma taxa de desemprego de 17,7%.

O défice orçamental de 2013 vai resvalar para os 5,9% do PIB, superando os 5,5% definidos para este ano entre o Governo e a troika.