A prática de rituais satânicos pode estar na origem da vandalização de uma ermida do século XVI, em Santiago do Cacém, o terceiro caso naquela capela nos últimos anos, admitiu hoje um responsável da Diocese de Beja.

O diretor do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja (DPHADB), José António Falcão, indicou à agência Lusa que a Ermida de São Pedro, na encosta do Castelo de Santiago do Cacém, foi vandalizada na semana passada.

O caso está a ser investigado pela GNR, suspeitando o responsável pelo DPHADB de que, na sua origem, possa estar a realização de rituais satânicos na capela.

Como «não houve furto», temos «essa suspeita fundada», afirmou José António Falcão, embora ressalvando que, «ao contrário de outras situações anteriores, desta vez não se sabe exatamente».

A Ermida de São Pedro foi vandalizada «durante a noite», tendo os autores dos atos entrado no edifício religioso e queimado «as toalhas e os reposteiros», arrancando também «os fios de eletricidade», explicou.

Além disso, continuou, «urinaram na pia da água benta, deixaram papéis pelo chão e improvisaram uma espécie de altar na sacristia».

O responsável do DPHADB precisou que o acesso à ermida foi feito de forma «bastante agressiva», pois foram «retiradas pedras dos alicerces da própria igreja».

As pedras foram usadas para apedrejar a capela, tendo a porta principal cedido após «tanta pancada», disse.

Segundo José António Falcão, naquela zona do Castelo, «desde há uns meses ou semanas, têm existido movimentos estranhos».

«Têm-se ouvido, à noite, barulhos que inquietam muito os cães», junto à Igreja Matriz de Santiago do Cacém, localizada na mesma área, exemplificou.

O caso, segundo o responsável do DPHADB, lançou «um certo alarme na população, sobretudo nas pessoas que vivem à volta» da Ermida de São Pedro, tendo já surgido quem se ofereça para ir dormir dentro das igrejas.

José António Falcão mostrou-se prudente, defendendo que a população deve «deixar as autoridades fazer o seu trabalho» e alertou que «quem realizar crimes contra o património terá que ser perseguido e responsabilizado».

«Estamos numa zona que está a atrair práticas heterodoxas que causam algum mal-estar e que precisam de uma resposta contundente das autoridades», apelou.

O responsável disse que este tipo de casos «é recorrente e acontece com alguma periodicidade» na região, tendo existido, há cerca de 12 anos, «uma primeira vaga de práticas satânicas», com inscrições de símbolos em igrejas e destruição de imagens.

«Há quatro anos, nesta mesma ermida, ocorreram rituais que se aproximam da magia sexual», assinalou, descrevendo que existiam «preservativos usados pelo chão» e que «improvisaram uma cama dentro de um armário na sacristia com folhas com inscrições».

A Ermida de São Pedro é datada do século XVI e foi está classificada, desde 2011, como Monumento de Interesse Público.