A diretora da ação social da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) alertou, na noite de quinta-feira, para o facto de estarem a aparecer pessoas nas ruas da capital diferentes do típico sem-abrigo.

«Temos a convicção de que a realidade está a mudar. Estão a aparecer pessoas na rua que descaracterizam o padrão da população sem-abrigo. Antes dizíamos que era homem, 55 anos, desfiliado e com problemas de saúde mental ou dependências. Hoje, já encontramos população muito jovem e alguns casais e isso significa que temos de olhar esta realidade e as soluções de forma diferente», afirmou Rita Valadas à agência Lusa.

A responsável, que marcou presença na iniciativa inédita promovida pela SCML de contagem e mapeamento da população sem-abrigo em toda a cidade de Lisboa, que decorreu na noite de quinta-feira e sexta-feira, pede que sejam tomadas medidas diferentes daquelas que têm vindo a ser adotadas.

«Não nos podemos sentar confortavelmente a achar que as soluções que hoje todos nós estamos a providenciar a esta população servem, porque senão eles não vinham para a rua», vincou Rita Valadas.

Questionada se o número de sem-abrigo pelas ruas de Lisboa tem aumentado nos últimos anos, a diretora da ação social da SCML disse não saber pois «nunca foi feito um levantamento correto», daí não ter um número de controlo ou comparação.

O coordenador do programa Inter-Gerações da SCML corrobora da mesma opinião. «Não diria que o número tem vindo a crescer, diria que a tipologia das pessoas que se encontram a viver na rua tem vindo a mudar», revelou João Marrana.

Contudo, tanto João Marrana como Rita Valadas acreditam que a situação da contabilização dos sem-abrigo em Lisboa vai mudar a partir de janeiro, mês em que vão ser revelados os dados da iniciativa.

«Vai servir para conhecer a realidade em número e em espécie. Depois temos de juntar as instituições para trabalharem em conjunto e tentarmos realmente acudir a estas pessoas que são o mais frágil e o limite da sociedade», vincou a diretora da ação social da SCML.