A deputada do PS, Ana Catarina Mendes, exigiu esta segunda-feira saber o número de reclusos existentes no Estabelecimento Prisional de Castelo Branco, na sequência da fuga de três prisioneiros, no domingo.

Três homens, de 27, 49 e 55 anos, fugiram cerca das 19:00 de domingo da cadeia de Castelo Branco e ainda se encontram a monte.

Na fuga, feriram três guardas prisionais, que foram alvo de tratamento hospitalar e que, entretanto, já tiveram alta médica.

Ana Catarina Mendes, num requerimento entregue à Assembleia da República, pergunta «qual o número de reclusos atualmente existente no Estabelecimento Prisional de Castelo Branco e, bem assim, se esse número corresponde à lotação prevista», pretendendo ainda saber o número de guardas prisionais atualmente a prestar serviço no EP de Castelo Branco e se o respetivo quadro de pessoal se encontra «preenchido».

A socialista exige ainda saber o «número de guardas e, bem assim, o número de presos que se encontravam no EP de Castelo Branco aquando da fuga perpetrada este fim de semana» e «o número atualmente existente de reclusos no Sistema Prisional Nacional».

Ana Catarina Mendes recorda que a Comunicação Social noticiou a fuga, durante o último fim de semana, de três reclusos do Estabelecimento Prisional de Castelo Branco, não sem antes terem agredido com violência três guardas daquele Estabelecimento Prisional.

«Atentas as declarações já proferidas por representantes de um dos sindicatos representativos dos guardas prisionais, verificar-se-á presentemente no Estabelecimento Prisional de Castelo Branco uma situação de sobrelotação de presos, a par de uma redução do número de guardas prisionais e correspondentes condições de segurança».

A deputada diz também que, «tratando-se de fim de semana, a ratio guarda/preso ter-se-á elevado para um patamar incompatível com a segurança exigida, o que parece ter sido comprovado pela fuga em causa», cita a Lusa.

Ao final da manhã desta segunda-feira, a Direção-geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) anunciou, em nota enviada à Lusa, que mandou instaurar um processo de inquérito.

No mesmo documento, a DGRSP informa que os fugitivos são autores de crimes de furto, de roubo, de falsidade de declarações, de extorsão e de condução de veículo sem habilitação legal, estando condenados a penas de cinco, oito e nove anos de prisão.

A Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso (APAR) considerou que a fuga de três presidiários da cadeia de Castelo Branco, no domingo, foi consequência de «nítida negligência», disse à Lusa o secretário-geral daquela organização, Vítor Ilharco.

«Qualquer fuga é reflexo de negligência e neste caso é claro que houve uma nítida negligência dos guardas prisionais, mas agora, em vez de o assumirem, estão a usá-la para exigirem mais meios e mais guardas», referiu.

Vítor Ilharco afirmou que a APAR «repudia veementemente qualquer fuga em qualquer circunstância», mas sustentou que o «facto de os reclusos terem conseguido escapar não só aos guardas que alegadamente agrediram como também aos que deviam estar a guardar o espaço exterior» é reflexo de negligência, escreve a Lusa.