Um grupo de reclusos da prisão da Carregueira, Sintra, queixou-se esta segunda-feira de ser prejudicado pela greve dos guardas prisionais, porque nos próximos 20 dias ficarão impedidos de receber visitas, comida, correio e até os advogados.

Fonte ligada a um recluso, que pediu para não ser identificado por medo de represálias, disse à agência Lusa que os presos do Estabelecimento Prisional da Carregueira foram avisados hoje, às 18:00, da greve decretada a partir das 00:00 de terça-feira pelo Sindicato Independente do Corpo da Guarda Prisional (SICGP), que tem uma forte parte dos seus associados precisamente na Carregueira.

Segundo a mesma fonte, os reclusos da Carregueira, entre os quais se encontram figuras públicas como o ex-apresentador de televisão Carlos Cruz, o médico Ferreira Diniz, o embaixador Jorge Ritto, o ex-presidente da Câmara de Oeiras Isaltino de Morais ou o antigo dirigente do Benfica João Vale e Azevedo, «não foram informados dos serviços mínimos» a que terão direito durante a greve que termina a 11 de agosto.

«Foi-lhes apenas comunicado que não podiam receber comida, que durante este período de 20 dias só podiam receber uma visita, que não poderá levar bens alimentares, não podem fazer chamadas telefónicas ou cartas, nem mesmo receber os respetivos advogados», relatou a fonte à agência Lusa.

O SICGP decidiu hoje avançar com uma greve, que se inicia às 00:00 de terça-feira e se prolonga até 11 de agosto, como revelou à Lusa o presidente do sindicato, Júlio Rebelo, após o fracasso das negociações que envolveram o Ministério das Finanças.

Júlio Rebelo disse que o SICGP não pode aceitar que, em termos de carreira, haja um «tratamento desigual» consoante a hierarquia dos guardas prisionais, havendo já datas previstas para a promoção dos chefes da guarda, enquanto as promoções para o restante pessoal ficará incerto e "dependente de dotação orçamental".

Segundo Júlio Ribeiro, a greve, com a duração de 20 dias, e à qual podem aderir todos os guardas (sindicalizados ou não), irá afetar os diversos aspetos da vida prisional, designadamente serviços administrativos, transporte de reclusos e julgamentos, visitas aos reclusos e o acesso destes ao telefone e às máquinas de tabaco.

O presidente do SICGP lamentou a situação, observando que os guardas não tinham intenção de paralisar, não fossem os obstáculos colocados pelo Ministério das Finanças durante as conversações que tiveram lugar na presença de responsáveis do Ministério da Justiça.

Júlio Rebelo discordou da ideia de que o SICGP está basicamente implantado no Estabelecimento Prisional da Carregueira, em Belas, Sintra, referindo que o sindicato tem apoiantes espalhados pelas diversas cadeias do país.

Contudo, é o Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP) que tem maior representatividade e número de associados junto dos guardas prisionais.