A secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, Teresa Morais, defendeu esta terça-feira nas Nações Unidas que a prevenção e combate à violência sobre as mulheres deve ser uma meta da organização nos objetivos após 2015.

«Defendemos, na linha das posições assumidas pela EU, que na agenda pós-2015 deve ser explícito o propósito da prevenção e combate a todas as formas de violência sobre as mulheres, expresso de forma autónoma e clara, num compromisso intenso que deve ser servido pelos meios apropriados a esse combate», disse Teresa Morais numa mesa redonda da Comissão sobre o Estatuto da Mulher da ONU que debateu os «Desafios e conquistas na implementação dos Objetivos do Milénio para mulheres e raparigas».

Em 2000, a ONU analisou os maiores problemas mundiais e estabeleceu oito «Objetivos do Milénio» que deviam ser atingidos por todos os países até 2015.

Teresa Morais lembrou que esta agenda de prioridades esqueceu o tema da igualdade de género, como lembrou o Secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon, num relatório em dezembro do ano passado.

Defendendo que «estamos no momento crucial para fazer um balanço sério sobre o que foi ou não atingido», a secretária de Estado disse que foram registados progressos na luta contra a fome e a pobreza, no acesso à educação, na luta contra a mortalidade infantil, mas que em áreas como a saúde materna, o combate ao VIH e o acesso ao saneamento básico os objetivos não foram alcançados.

Teresa Morais salientou ainda que este é o momento «também para produzir uma agenda realista e exequível para o pós-2015».

«Se há matéria que nos atinge a todos de forma generalizada e transversal, dos países desenvolvidos aos países em desenvolvimento ela é a da violência contra as mulheres», defendeu a representante de Portugal.

«Seja ela a mais brutal violência física ou a mais sofisticada violência psicológica, da cruel mutilação genital feminina, aos casamentos forçados, da violência conjugal, à perseguição compulsiva ou à violência exercida através das novas tecnologias», concluiu Teresa Morais.