Professores e habitantes de quatro concelhos do distrito de Portalegre protestaram hoje, em Évora, contra o anunciado encerramento de escolas do 1.º ciclo, por considerarem que a medida vai ser prejudicial para alunos e comunidades.

As críticas ao fecho de escolas fizeram-se ouvir durante uma manifestação, realizada esta manhã, nas imediações do edifício da Direção de Serviços do Alentejo da Direção-Geral de Estabelecimentos Escolares (DGEstE).

O protesto foi organizado por associações de pais dos concelhos de Arronches, Avis, Castelo de Vide e Portalegre e pelo Sindicato de Professores da Zona Sul (SPZS).

«Não ao encerramento da EB1 de Póvoa e Meadas» e «Recuperar a Esperança sim, encerrar a escola não» eram as frases que se podiam ler em alguns dos cartazes empunhados pelos manifestantes.

Num palanque improvisado, na rampa que dá acesso ao edifício dos serviços de Educação, uma das manifestantes alertou que o encerramento da escola da sua freguesia vai levar a população a ficar «num deserto».

Outro dos manifestantes, José Pacheco Álvaro, da freguesia de Esperança, concelho de Arronches, disse à agência Lusa que a população da sua aldeia também está insatisfeita com o possível fecho da escola.

«Não estamos de acordo que a escola encerre, até porque, segundo as previsões, as crianças vão entrar numa escola com menos condições do que aquelas que têm atualmente», afirmou, considerando que, «sem escola, não há esperança» para a aldeia.

O mesmo morador recordou que, «há cerca de três meses, com pompa e circunstância», a aldeia foi visitada pelo Presidente da República e por dois ministros, no âmbito do projeto «Recuperar a Esperança», patrocinado por um banco.

«Agora, passados três meses, parece que o [lema] recuperar a Esperança vai passar para matar a Esperança», ironizou.

Por seu turno, Ana Luísa Pinheiro, do SPZS, realçou aos jornalistas que as escolas previstas encerrar «tiveram obras de requalificação, feitas pelas autarquias, e estão apetrechadas do ponto de vista tecnológico».

A dirigente sindical defendeu que «não está provado» que a mudança dos alunos para centros escolares seja positiva e exemplificou com o caso do melhor aluno de uma escola secundária de Portalegre, no ano passado, que é «oriundo de Póvoa e Meadas».

«Quando o ministério diz que os miúdos vão ter melhores condições nos centros escolares, é caso para duvidarmos», porque «prometem que as crianças ficarão em turmas de um só ano, mas, na realidade, o que temos visto é que têm ficado em turmas mistas de vários anos», referiu.

Segundo a lista divulgada pelo Ministério da Educação, estão previstas encerrar no Alentejo 35 escolas: 12 no distrito de Évora, outras 12 no de Portalegre, nove em Beja e duas nos concelhos do litoral alentejano que pertencem ao distrito de Setúbal.

No final da semana passada, decorreram protestos idênticos junto aos serviços regionais de Educação do Alentejo, mas juntando habitantes e autarcas de concelhos dos distritos de Évora e Beja.