Cerca de três mil pessoas responderam hoje ao apelo da CGTP-IN e manifestaram-se, no Porto, contra as políticas económicas e sociais do Governo, que acusam de ser «assassinas» e de causar «sofrimento e dor» aos portugueses.

Inserida no «Dia Nacional de Luta Contra a Exploração e o Empobrecimento», a manifestação do Porto foi um dos vários protestos promovidos em todos os distritos do país contra a austeridade e para exigir novas políticas económicas e sociais.

Se os aguaceiros que, durante a manhã, caíram no Porto ameaçavam prejudicar a participação na manifestação, à hora do início do protesto já não chovia e as pessoas foram-se concentrando na Praça dos Leões, para depois descerem a Rua dos Clérigos, até à Praça da Liberdade, e percorrerem as ruas de Sá da Bandeira e de Santa Catarina, terminando na Praça da Batalha.

Convicto de que a CGTP-IN promoveu «uma grande manifestação» na Invicta, o coordenador da União de Sindicatos do Porto (USP), João Torres, salientou as «razões justas, humanas e nobres» na base do protesto e apelou à adesão dos trabalhadores à «semana de luta» marcada para a semana de 08 e 15 de março, «com greves e paralisações em busca do aumento dos salários, em defesa dos direitos e do emprego e contra a precariedade».

«Temos um Governo que está a dar cabo da vida a quem menos tem em benefício daqueles que têm tudo e mais alguma coisa», acusou, denunciando uma «política assassina, porque está a matar antecipadamente muitos portugueses», e apelando à «derrota de um Governo que, em cada dia que se mantém em exercício, causa sofrimento e dor aos trabalhadores».

Apesar do aparente «autismo» do executivo face aos protestos dos manifestantes, João Torres acredita que, «se não viessem à rua e não lutassem a situação era bem pior».

«O que fazemos é sempre um travão a determinadas políticas e nem sempre se valoriza o que se vai conquistando», sustentou, avançando como exemplo o recuo relativamente ao aumento do horário de trabalho nas autarquias.

Quanto aos sinais de recuperação apontados pelo Governo, a USP diz não passarem de «foguetório», cujo único propósito é «anestesiar o pessoal para não fazer nada até 17 de maio, em que vai embora a troika, e para que nas eleições para o Parlamento Europeu não seja penalizado da forma como deve ser».

«Não andamos aqui a dormir e estas ações servem para impedir que este Governo saia vitorioso nas próximas eleições e para que seja corrido tão rápido quanto possível», afirmou João Torres.

Por entre palavras de ordem instando o Governo a «ir embora» e a população a «lutar e resistir para o Governo cair», Teixeira, de 67 anos, foi um dos muitos reformados que aderiram à manifestação da CGTP-IN.

Presença assídua nas várias manifestações que têm vindo a contestar a política do Governo PSD/CDS-PP, o reformado comparou os 411 euros de «descontos totais» que fez em 2011 com os 1.690 euros de 2013 e os 2.450 euros que, feitas as contas, prevê descontar este ano.

«Quando estes aldrabões vêm dizer que está tudo melhor é mentira, basta fazer contas. Olhamos para como estava o país em 2011 e para como está hoje e está pior, em todas as vertentes. Por mais que queiram pintar a pílula de dourado, não há um indicador que esteja melhor e o défice só baixa à custa do empobrecimento do país, não de qualquer reforma estrutural», criticou.

Assumidamente «frustrado» com o que considera ser uma fraca adesão da população aos protestos, Teixeira acha «que o povo português é masoquista, porque gosta que lhe batam», e defende que, não tendo o Governo caído na crise política aberta em julho de 2013, agora deve «ir até ao fim, com todas as consequências que isso acarreta».

Já o também reformado João Pinto, de 69 anos, acha que «ontem já era tarde para o Governo sair» e, segurando um cartaz onde se lia «PSD/CDS ladrões», denunciou a «degradação da situação de todos os reformados¿ e defendeu que «não é este o caminho para recuperação do país».