O papa Francisco permitiu expor pela primeira vez ao público o manuscrito da «Terceira Parte do Segredo de Fátima» no santuário da Cova de Iria, disse esta quinta-feira à agência Lusa o comissário da exposição, Marco Daniel Duarte.

O empréstimo do manuscrito foi autorizado pelo papa Francisco em junho e será a peça «de maior valor simbólico» que integra a mostra «Segredo e Revelação», que é inaugurada a 30 de novembro, explicou aquele que é também diretor do Museu do Santuário de Fátima.

«É um papel de carta muito simples da irmã Lúcia que fez correr rios de tinta», até porque «o que lá estava escrito era para ser lido mais tarde, foi selado, acabou por ser enviado para o Vaticano» e apenas divulgado a 13 de maio de 2000 em Fátima pelo secretário de Estado do Vaticano, enviado pelo papa João Paulo II.

O manuscrito pertence ao Arquivo Secreto da Congregação para a Doutrina da Fé, onde deu entrada em 4 de abril de 1957, pode ler-se num anota hoje divulgada pelo Santuário de Fátima.

«A cultura de Fátima anda às voltas da cultura escrita», sustentou o diretor do Museu do Santuário de Fátima.

«A importância desta exposição pode ver-se também nas raras vezes que saiu do Arquivo Secreto da Congregação para a Doutrina da Fé, um a vez que saiu apenas a pedido do papa João Paulo II após o atentado de que foi alvo e em 2000, quando se encontrou com a então carmelita Lúcia para lhe perguntar se era de facto esse o manuscrito», acrescentou.

O chamado Terceiro Segredo de Fátima é a terceira parte do segredo alegadamente revelado pela Virgem Maria a três crianças portuguesas: Lúcia de Jesus dos Santos, Francisco Marto e Jacinta Marto, os denominados «pastorinhos», no dia 13 de Julho de 1917 na Cova da Iria. De Maio a Outubro de 1917, as três crianças afirmaram ter testemunhado a aparição de Nossa senhora de Fátima.

Nossa Senhora, a 13 de Julho de 1917, teria revelado um segredo constituído por três partes, de carácter profético.

As duas primeiras partes foram reveladas em 1941 e a terceira parte foi escrita em 1944, cujo documento foi guardado num envelope selado e, posteriormente, entregue ao Arquivo Secreto do Santo Ofício.