Numa mensagem enviada ao diretor-geral da FAO, o Papa Francisco disse ser «um escândalo» que ainda exista fome e subnutrição no mundo e criticou «o consumismo e o desperdício».

O Papa considerou que um «dos desafios mais sérios para a humanidade é o da trágica condição em que vivem ainda milhões de pessoas famintas e subnutridas, incluindo muitas crianças».

«A fome e a subnutrição não podem ser vistas como um facto normal, ao qual nos devemos acostumar, como se fosse parte do sistema. Algo tem que mudar em nós, na nossa mentalidade, nas nossas sociedades», alertou ainda.

Para o Papa argentino, a fome e a subnutrição são «apenas um dos frutos da cultura do desperdício que muitas vezes leva ao sacrifício de homens e mulheres aos ídolos do lucro e do consumo».

O diretor-geral da Organização da ONU para a Agricultura e Alimentação (FAO) disse esta quarta-feira ser possível ganhar a luta contra a fome, sublinhando a importância de acabar com o desperdício alimentar e garantir dietas equilibradas.

O responsável disse que 62 dos 128 países monitorizados pela FAO atingiram o Objetivo de Desenvolvimento do Milénio de reduzir para metade o número de pessoas com fome, a partir dos níveis de 1990, mostrando ser possível atingir aquela meta em 2015.

O número de pessoas com fome em todo o mundo desceu nos últimos anos, principalmente devido ao crescimento económico nos países em desenvolvimento e ao aumento da produção agrícola, mas ainda ronda os 842 milhões de pessoas.

Graziano da Silva afirmou que o custo da fome é equivalente a cerca de 5% do rendimento mundial devido à perda de produtividade e gastos com saúde.