Uma centena de pais e crianças de Curalha, Chaves, manifestou-se esta terça-feira contra o encerramento da escola, a «alegria da povoação», com a Junta de Freguesia a ponderar apresentar uma providência cautelar para travar o fecho anunciado pelo Governo.

Os manifestantes juntaram-se perto da escola do primeiro ciclo do ensino básico, empunhando cartazes onde se podia ler «Uma aldeia sem escola é como um burro sem carroça», «O encerramento de uma escola é o fecho de uma aldeia» ou «As nossas crianças não são vossa propriedade».

Pais, alunos e autarcas uniram-se contra o fecho do estabelecimento de ensino de Curalha, que integra a lista de 13 escolas a fechar este ano no distrito de Vila Real.

«Eu acho muito mal fecharem a escola, porque uma escola é a alegria da povoação», afirmou Joaquina Barreira, uma das manifestantes.

Com o fecho deste edifício, as crianças terão que se deslocar cerca de cinco quilómetros até à sede do concelho, Chaves.

«Eles querem é mandar-nos para a Espanha», acrescentou Joaquina Barreira.

O presidente da Junta de Freguesia de Curalha, Domingos Alves, disse que a autarquia se juntou ao protesto dos pais e alunos e adiantou e que está a ponderar avançar com uma providência cautelar para travar o processo de encerramento.

O autarca prometeu uma luta «até ao fim» e frisou que os pais estão decididos a «não abdicar da escola».

O vice-presidente da Câmara de Chaves, Carlos Castanheira Penas, também marcou presença na manifestação desta manhã e defendeu que os critérios usados para encerrar escolas nas zonas de alta densidade populacional não podem ser os mesmos utilizados no interior, com menos densidade populacional.

Sublinhou, ainda, que nestes territórios não deveriam fechar estabelecimentos de ensino com mais de 11 alunos e que, estes fechos, representam «um prejuízo claro para estas regiões e para o futuro do país».

«Estamos a desertificar o nosso território do interior e a fazer com que as pessoas abandonem as aldeias», salientou.

A vereadora socialista Paula Barros uniu-se também à causa e frisou que o «reordenamento de rede escolar não pode ser acompanhado de um desinvestimento absoluto» e «não pode ser cego ao ponto de que tudo se resuma a números».