A Associação Portuguesa das Crianças Sobredotadas (APCS) alertou, esta quarta-feira, que há pais a emigrar para proporcionar aos filhos uma aprendizagem que estimule as suas capacidades, que dizem não encontrar no ensino em Portugal.

O aviso é feito por Helena Serra, dirigente da APCS, em vésperas do seminário internacional «Sobredotação Mitos e Rumo», que a instituição promove, na sexta-feira e no sábado, em Lisboa.

Helena Serra admitiu à agência Lusa que há «famílias que procuram fora do país, para os seus filhos, um outro envolvimento educativo, mais enriquecido e que estimule as suas capacidades». A dirigente admitiu ainda que a associação tem recebido «inúmeros desabafos de pais que veem os seus filhos a entediar, a sofrer nas escolas por falta de desafios na aprendizagem».

A docente reconhece que «professores com muito alunos, eventualmente com défices e com elevadas capacidades», veem «dificultada a sua ação», pelo que sugere turmas mais pequenas e a presença de dois professores na sala, com as crianças a terem «planos de aula diferenciados».

«Os pais sofrem, porque sentem os filhos deprimidos, talvez desencantados com a escola, agressivos, sem adquirir hábitos de trabalho, sem motivação», revela Paula Frassinetti, docente da Escola Superior de Educação do Porto.

A docente alerta também que a falta do devido acompanhamento familiar e escolar pode levar os sobredotados a isolarem-se e a abandonarem a escola, ou a tornarem-se deprimidos.

Contudo, na hora da procura de emprego, os sobredotados recém-licenciados ou doutorados vão para o estrangeiro, porque Portugal «não corresponde aos seus anseios», advertiu a dirigente da APCS.

A Associação Portuguesa das Crianças Sobredotadas promove consultas psicológicas e psicopedagógicas. Tem em curso, no Porto, Beja, Nelas e Lisboa, um programa de enriquecimento das capacidades dos mais pequenos.

O programa, que se realiza nas escolas, aos sábados, inclui uma série de atividades ligadas às ciências e às artes que promovem a socialização e a aprendizagem.