Um descendente de Peter Francisco, o português que combateu na Guerra da Revolução Americana em 1776, está a produzir um filme sobre o herói que o George Washington classificou de «um exército de um homem só».

«Sem ele, teríamos perdido duas importantes batalhas, talvez a Guerra e, com ela, a nossa liberdade. Ele era verdadeiramente um exército de um homem só», disse o primeiro presidente dos EUA, George Washington, sobre o português.

Travis Bowman, de 40 anos, é o descendente de sétima geração responsável pelo filme. Bowman já escreveu um livro sobre o seu antepassado («Hercules of the Revolution», 2009) e produziu um documentário de 30 minutos que passou por diversas vezes na PBS («The Peter Francisco Story», 2011).

«Estamos a escrever o guião, que será baseado no meu livro, e estamos à procura de investidores», diz Bowman à agência Lusa, adiantando que o orçamento do filme são 13 milhões de dólares (cerca de 10 milhões de euros) e que o realizador será Jess Stainbrook, vencedor de oito prémios Emmy.

«O último filme do realizador [«Seven Days in Utopia», com Robert Duvall, 2011] conseguiu o investimento em nove meses. Acreditamos que teremos os fundos até ao final do ano e que podemos começar as gravações em junho do próximo ano», explica Bowman, prevendo a estreia para 2016.

O americano cresceu a ouvir as histórias da avó, que dizia aos netos que a família era descendente de um gigante que tinha sido um dos melhores soldados americanos.

«Ouvir quando és criança que és descendente de um gigante que foi um dos melhores soldados de sempre era fantástico. A minha avó dizia-nos que ele media dois metros e meio, três metros. Eu e os meus primos adorávamos a ideia», diz Travis.

Foi já em adulto que Bowman pesquisou sobre o seu antepassado e descobriu que Peter Francisco tinha 1,98 metros, precisamente a sua altura, e a admiração da infância tornou-se numa ocupação séria.

«Neste momento, os projetos relacionados com o Peter Francisco ocupam metade do meu tempo», diz Travis, que trabalha como consultor financeiro na área ambiental.

Desde 2008, o americano fez mais de cem encenações em 25 estados. Nesses pequenos espetáculos, veste-se como Peter Francisco, e usa uma réplica de uma espada de 1.82 metros que George Washington durante o conflito, a pedido do Marquês de Laffayette, de quem o português era especial amigo.

Peter Francisco nasceu na ilha Terceira, nos Açores, foi raptado por piratas com 5 anos e trazido para a Virgínia muito novo.

Aí, foi acolhido por um juiz e foi criado numa família muito cedo ligado ao movimento independentista. Na Revolução Americana, Peter Francisco combateu em várias batalhas e é referenciado por diversos historiadores como um dos mais valorosos soldados das forças coloniais.

Travis, que esteve nos Açores em maio a visitar os locais da infância do seu antepassado, diz que «perceber que nos EUA muita gente não sabe quem é Peter Francisco é o que dá mais motivação» para continuar a contar esta história.

«Para mim, é uma história sobre como Deus atua na vida dos homens. Como Deus decidiu escolher este homem numa ilha do meio do Atlântico, trazê-lo para os Estados Unidos num momento crucial e faze-lo mudar o curso da história. Para mim, isso é o mais espantoso», diz.