O presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), Manuel Machado, manteve esta sexta-feira o que tinha dito sobre a alegada falta de diálogo entre o Governo e as autarquias relativamente ao processo de encerramento de escolas do 1.º ciclo.

Em declarações aos jornalistas em Viseu, Manuel Machado contou que tinha ficado acordado com o Governo «que nenhuma escola seria encerrada sem um diálogo construtivo com o respetivo presidente da Câmara».

No entanto, esta semana teve conhecimento de que, «em algumas regiões do país, estavam a determinar que o diálogo se consubstanciava em convidar a Câmara Municipal para uma reunião para assinar uma ata, onde há linhas para extinguir até uma dúzia de escolas e há três ou quatro linhas para que a Câmara comente», lamentou.

«A decisão de encerramento está tomada. Ora, isto é um simulacro de diálogo. Por isso, mantenho tudo o que disse», frisou.

Manuel Machado, também presidente da Câmara de Coimbra, tinha denunciado na terça-feira a «conduta imprópria» do ministério da Educação no processo de encerramento de 439 escolas.

Na quinta-feira, em comunicado, o ministério declarou-se «surpreendido» com estas as acusações, rejeitando qualquer imposição de fecho de escolas.

Manuel Machado referiu aos jornalistas que «o encerramento de uma escola é sempre uma questão importante para uma comunidade», embora admita haver algumas que, «por várias razões, devem ser encerradas».

«Há aspetos diversos a considerar - transportes escolares, cantinas, condições de acolhimento de crianças nas novas instalações - que se forem dialogados de forma construtiva, séria e válida, dão bom resultado», considerou.

No entanto, se as decisões forem tomadas «através de um expediente administrativo, tão só, isso dará problemas», alertou, acrescentando que a ANMP gosta mais de «ajudar a construir soluções do que depois andar a passar tempo a resolver problemas».