As farmácias garantem que metade da redução da despesa pública alcançada pela saúde foi conseguida à custa dos medicamentos em ambulatório e consideram que este é um esforço «injusto» comparado com os gastos nos hospitais.

A análise é do presidente da Associação Nacional das Farmácias (ANF) no seu discurso de abertura do Congresso Nacional das Farmácias, que decorre até sábado no Estoril.

«Até hoje, a saúde contribuiu com 1 200 milhões de euros para a redução da despesa pública prevista no Orçamento Geral do Estado» e «metade desta redução foi conseguida à custa da redução da despesa com medicamentos em ambulatório», disse Paulo Duarte.

Destes 600 milhões de euros, prosseguiu, «mais de 300 milhões foram conseguidos à custa dos grossistas e das farmácias».

«Nem os medicamentos em ambulatório pesam metade do orçamento da saúde, nem a distribuição pesa metade da despesa com medicamentos em ambulatório», disse o presidente da ANF, lembrando que «o consumo de medicamentos nos hospitais, geridos pelo próprio Ministério da Saúde, não contribuiu ainda para qualquer redução da despesa global com medicamentos».

Para Paulo Duarte, há outra «injustiça» neste setor que se prende com a suspensão dos fornecimentos.

«Agora, 1.629 farmácias estão com fornecimentos suspensos em pelo menos um distribuidor grossista e 351 farmácias são alvo de processos de insolvência e penhoras», disse, considerando que «ignorar esta realidade não resolve nenhum problema e só pode contribuir para o agravamento da crise».