O cardeal português Manuel Monteiro de Castro, membro da Congregação para as Causas dos Santos, disse hoje que o primeiro passo para a beatificação da Irmã Mary Wilson já foi dado, faltando apenas a confirmação de um milagre.

«A beatificação vem num momento em que haja algum milagre (...). Se aparecer algum milagre aqui ou noutra parte do mundo», o processo é desenvolvido, disse o cardeal, que está de visita à Madeira, numa deslocação à Quinta das Rosas onde está o túmulo desta religiosa.

Monteiro de Castro salientou que «o primeiro passo foi dado» com a Santa Sé a declarar a Irmã Wilson venerável, acrescentando que «agora tem de dar mais dois passos».

«Necessitamos de um milagre para ser beatificada e outro para se declarada santa para todo o mundo (...). Vai aparecer», salientou o cardeal.

Por seu turno, o bispo do Funchal, António Carrilho, afirmou que este momento «é especial, até porque há muito tempo era desejado e esperado» pela igreja madeirense, que gostava de ver este processo avançar no ano em que a diocese assinala os 500 anos.

O prelado argumentou que «estes processos de reconhecimento de virtudes heroicas e de beatificação são sempre longos demorados».

O processo de beatificação da Irmã Mary Wilson foi desencadeado em 1991 e o decreto que aprovou as «virtudes heroicas» da Irmã Wilson foi aprovado pelo papa Francisco.

Mary Jane Wilson nasceu na Índia, filha de pais ingleses, e foi fundadora da Congregação das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias.

A sua chegada à Madeira data de 1881, como enfermeira de uma doente inglesa, tendo-se distinguido pelo apoio às vítimas da epidemia da varíola, um empenho reconhecido pelo rei D. Carlos, que lhe atribuiu a condecoração de «Torre e Espada».

Na sequência da revolução republicana, a congregação religiosa foi extinta e a Irmã Wilson foi presa e expulsa para a Inglaterra, mas regressou um ano depois, acabando por morrer no Convento de São Bernardino, Câmara de Lobos, em 1916.

Hoje, o cardeal Monteiro dos Santos vai ainda receber em audiência o chefe do executivo madeirense, Alberto João Jardim, no Paço Episcopal.

No domingo, marca presença na inauguração e bênção do grupo escultórico da Irmã Wilson, junto à igreja paroquial de Santa Cruz, e preside à celebração solene de reconhecimento na Sé do Funchal.