Uma petição pela permanência do helicóptero do INEM em Macedo de Cavaleiros foi hoje lançada, no Nordeste Transmontano, com o propósito de levar o assunto à discussão da Assembleia da República.

O anunciou foi feito durante uma manifestação, em Macedo de Cavaleiros, contra a retirada do meio de socorro e em que se ouviram testemunhos dos que foram salvos pelo helicóptero na região do país mais afastada dos principais hospitais.

«A petição diz que o helicóptero não pode sair daqui porque nos faz falta, porque fomos esvaziados de serviços de saúde, e porque o helicóptero tem de estar perto das populações», resumiu Ilídio Mesquita, um dos promotores da manifestação de hoje.

O texto que acompanha o documento dirigido aos órgãos de soberania nacionais lembra que «não existe em Trás-os-Montes uma resposta médica que possa servir de igual modo todos os cidadãos transmontanos com os mesmos índices de qualidade daqueles que se verificaram em médico um pouco por todo o país».

Esta lacuna, prossegue a petição, foi a razão porque se instalou, em 2010, o helicóptero de emergência médica em Macedo de Cavaleiros, e que o INEM pretende deslocalizar para Vila Real, intenção que os autarcas da região conseguiram impedir até agora com ações judiciais.

«Se por ventura , nesta altura, se viesse de facto a concretizar uma tal decisão de retirada, colocar-se-ia de uma só vez em risco a vida de milhares de cidadãos residentes na região de Trás-os-Montes», alega.

Os promotores da petição vincam que «interessará dizer que as pessoas não são números e que esta crise não pode, nem deve ser o argumento suficiente onde pode assentar esta autêntica sentença de morte que poderá condenar toda uma vasta região».

Ilídio Mesquita referiu que a petição está disponível para quem quiser assinar no sítio das petições públicas na Internet e que espera conseguir reunir as quatro mil assinaturas necessárias para obrigar a Assembleia da República a discutir o assunto em plenários.

«Isto é uma decisão política, é uma decisão do ministro da Saúde, que tem que dar ordens à senhora presidente do INEM a dizer que o helicóptero fica em Macedo de Cavaleiros», considerou.

Os presidentes de Câmara do Distrito de Bragança marcaram presença na manifestação de hoje, em Macedo de Cavaleiros, em que compareceram menos pessoas dos que as esperadas, talvez devido à chuva, segundo a organização.

Não faltaram contudo os testemunhos que frisaram a importância da rapidez do meio aéreo numa região onde grande parte da população está pelo menos a uma hora de automóvel dos principais hospitais.

Outra vantagem apontada é a de o helicóptero não só transportar rapidamente, mas levar uma equipa médica especializada com rapidez junto de quem necessita.

Alfredo Ferreira, da aldeia de Urros, no concelho de Mogadouro, foi dos primeiros a ser assistido pelo helicóptero do INEM quando a 01 de junho de 2010 ficou debaixo do trator.

Como contou hoje, já «não tinha esperança de vida, já estava a ficar sem ação da cintura para baixo», quando depois dos bombeiros, foi acionado o helicóptero do INEM que o levou para Bragança e depois para o Porto.

«Se não fosse o helicóptero, a rapidez com que chegou e equipa do INEM o me socorreu e estabilizou, eu não me tinha salvado», contou.

Foi de propósito à Macedo de Cavaleiros para partilhar a sua experiência e para dizer que se «querem tirar helicópteros que tirem os que não saem», numa alusão aos dados estatísticos oficiais que dão conta de que a aeronave baseada em Macedo de Cavaleiros é a que mais emergência acorre entre a frota aérea nacional de emergência médica.