O investigador Domingos Xavier Viegas lança no próximo sábado o livro «Cercados pelo fogo em Armamar», no qual relata os acontecimentos associados à tragédia de 1985, durante um incêndio que matou 14 bombeiros daquela corporação.

«Este incêndio teve particular importância para mim, porque me motivou a estudar a temática dos incêndios florestais», disse à agência Lusa o professor catedrático da Universidade de Coimbra, que coordena a equipa do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais.

O acidente ocorreu no dia 8 de setembro de 1985, dia em que, segundo Xavier Viegas, «morreram 14 bombeiros num só local, todos da mesma corporação (Armamar) e muitos da mesma família».

Depois de ter publicado dois livros dedicados aos acidentes com vítimas mortais ocorridos nos incêndios florestais de 2003 e 2005, a corporação de Armamar convidou-o a fazer um trabalho sobre este acidente específico de 1985.

«Comecei a trabalhar em 2009, deslocando-me muitas vezes a Armamar, falando com pessoas, sobreviventes, familiares, para contar a história não só do acidente, mas também das pessoas», afirmou.

Embora faltem muitos elementos, foi possível «reconstituir os acontecimentos e encontrar até aspetos comuns entre vários casos e tirar ensinamentos que permitem depois melhorar as coisas».

De acordo com o professor, no dia 8 de setembro de 1985, aqueles bombeiros «tinham acabado de extinguir uma secção do incêndio e foram chamados pelas pessoas de uma aldeia», onde estava a começar um outro fogo. «Estavam a dirigir-se para a aldeia, a pé, iam a descer um desfiladeiro e, sem que dessem conta, havia uma frente de fogo perto deles que entrou no desfiladeiro e os apanhou», relatou.

O investigador considerou ser possível, quase 30 anos depois, ainda acontecerem acidentes como este nos incêndios florestais.

Recordou que, ainda há poucos meses, «aconteceu nos Estados Unidos um acidente onde morreram 19 bombeiros e que tem muita semelhança com o acidente» de Armamar, porque «estavam a ir de um sítio para o outro e havia um fogo perto, que acabou por lhes cortar o caminho».