Trinta e dois trabalhadores dos 100 portugueses contratados para efetuar reparações em dois túneis rodoviários na cidade inglesa de Birmingham vão denunciar o contrato e regressar a Portugal, mas a maioria aceitou permanecer, informou a empresa recrutadora.

Num comunicado enviado à agência Lusa, a Bespoke Resources Group indica que aqueles que decidiram denunciar o contrato «serão enviados para Portugal com viagem incluída, sendo-lhes também pagos os dias que estiveram a trabalhar».

No mesmo documento, Rui Vidal, supervisor geral, atribuiu o problema a alterações ao projeto feitas pelo município, o que atrasou o início da obra, criando «desentendimentos entre a entidade patronal e os trabalhadores». Porém, este responsável garante que «os trabalhadores não estão a passar fome», como terá sido alegado, e que a maioria do grupo de 100 trabalhadores aceitou renegociar as condições do contrato.

Este depoimento é reforçado pelos de mais quatro trabalhadores, respetivamente identificados.

Estes indicam que sabiam que teriam a responsabilidade de pagar alimentação e despesas pessoais durante a primeira semana de trabalho e que a empresa apenas teria garantido transporte e alojamento.

O esclarecimento surge após a denúncia, hoje de manhã, por um trabalhador, sob a condição de anonimato, alegando «incumprimento de contrato» e falta de pagamento há uma semana, pelo que algumas pessoas não teriam já dinheiro para comprar comida.

O apelo de ajuda levou ao envio de dois funcionários do consulado português de Manchester para averiguar a situação, tendo obtido uma cópia do contrato para análise pelos serviços jurídicos da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas.

Segundo informações recolhidas junto dos próprios trabalhadores, o contrato previa o pagamento de 3500 euros por um período de quatro semanas, durante o qual os portugueses trabalhariam 12 horas por dia.

O secretário de Estado das Comunidades disse hoje à Lusa que as autoridades portuguesas estão atentas ao caso: «A situação evoluiu, mas ainda estamos numa fase de análise. Estamos muito atentos e vamos continuar muito atentos à evolução» do caso, disse José Cesário.