Os hospitais da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) vão aumentar em 21% o número de colonoscopias a realizar em 2014, o que traduzirá mais 5.500 exames, foi hoje anunciado.

A decisão foi anunciada depois de uma hoje reunião entre a ARSLVT e os conselhos de administração dos hospitais e no dia em que o jornal Diário de Notícias relatou que uma doente descobriu um cancro em estado grave depois de dois anos à espera de uma colonoscopia.

«Durante o ano de 2013 realizaram-se na região da ARSLVT mais de 70 mil colonoscopias, das quais 27 mil foram realizadas nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS)», adiantou a ARSLVT, em comunicado enviado à agência Lusa ao início da noite.

A administração regional registou o «esforço demonstrado hoje por todos os hospitais da região e do SNS, através do compromisso em incrementar em 5.500, 21%, o número de exames a realizar em 2014».

A ARSLVT garantiu ainda o empenho em «elaborar um conjunto de medidas suplementares que permitam dar resposta adequada aos utentes da região nesta área».

Em declarações hoje à agência Lusa, o presidente da ARSLVT, Cunha Ribeiro, admitiu haver um «problema preocupante» com a capacidade de resposta para realizar colonoscopias na região, tanto no setor público como no privado.

O responsável disse pretender ter, dentro de duas ou três semanas, uma estratégia definida para responder à dificuldade de realização destes exames, que servem de diagnóstico ao cancro colorretal.

As soluções que vierem a ser encontradas devem passar, segundo Cunha Ribeiro, pela «maximização da capacidade instalada nos hospitais públicos» e pelo recurso a entidades sociais e privadas, uma vez que o setor público não conseguirá ser suficiente.

Sobre a dificuldade de realização de colonoscopias nos privados com convenção com o Estado, Cunha Ribeiro disse que o assunto também está a ser analisado, mas sem adiantar mais pormenores.

O presidente da ARS lembrou ainda que o número de especialistas na região para realizar as colonoscopias é «insuficiente para as necessidades», um problema que não será possível resolver a curto prazo.

Sobre o caso da doente que esperou dois anos para fazer uma colonoscopia, Cunha Ribeiro declarou que irá examinar o relatório que o hospital em causa, o Amadora-Sintra, vai realizar.

Segundo o jornal Diário de Notícias, a doente fez o rastreio ao cancro colorretal e a análise foi positiva, tendo sido de imediato encaminhada para o hospital Amadora-Sintra, mas foi chamada para consulta apenas um ano depois.

Em Portugal há cerca de sete mil casos de cancro do intestino por ano e, em média, morrem 11 pessoas por dia com a doença.

Tanto o Hospital Amadora-Sintra como a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde decidiram abrir um processo de inquérito.

Segundo o presidente da Associação de Luta Contra a Cancro do Intestino, Vítor Neves, as normas internacionais determinam que, após um rastreio positivo à pesquisa de sangue oculto nas fezes, a colonoscopia deve ser feita de imediato.

A mesma associação assinala que, quando um hospital não tem capacidade para responder, o doente deve ser encaminhado para o setor privado para realizar a colonoscopia.

A propósito deste caso, o PCP requereu hoje a audição do ministro Paulo Macedo na Comissão Parlamentar de Saúde.