O presidente da Cáritas Portuguesa alertou esta quinta-feira que há cada vez mais pessoas em situação de «pobreza extrema» em Portugal, porque lhes foi retirada a «principal fonte de rendimento», o trabalho.

«Temos cada vez mais pessoas a cair na pobreza extrema, na pobreza mais severa. Não só há mais gente pobre, como mais gente muito, muito pobre», lamentou Eugénio Fonseca no Dia Internacional da Erradicação da Pobreza.

Para esta situação, têm contribuído as medidas de austeridade nos últimos anos, sublinhou.

«A forma de retirar estas pessoas da pobreza é dar-lhes a oportunidade de acederem a um novo posto de trabalho», mas «enquanto isso não acontece é beneficiá-las com medidas compensatórias, as que estão relacionadas com a proteção social», disse à agência Lusa Eugénio Fonseca.

Mas não é com a redução das medidas de proteção social que se consegue atenuar a pobreza, antes pelo contrário, advertiu o presidente da Cáritas.

Eugénio Fonseca sublinhou que o desenvolvimento do país «não se faz apenas com euros, faz-se com pessoas, porque são elas que fazem gerar os euros». Por isso, defendeu, é importante que «os políticos, enquanto servidores do bem comum e não enquanto servidores de interesses pessoais ou corporativos, defendam as populações e sobretudo os mais fragilizados entre as populações».

Para o presidente da Assistência Médica Internacional (AMI), Fernando Nobre, «o fenómeno que está em curso não tem solução há vista para os próximos cinco a 10 anos».

O presidente da AMI adiantou que, desde 2008, os 15 equipamentos de respostas sociais da organização espalhados pelo país duplicaram o número de atendimentos.

Os centros sociais da AMI estão a socorrer pessoas que «era impensável» que viessem bater às suas portas: «Temos casais que pertenceram a uma classe média e a uma classe média alta que estão hoje a beneficiar dos nossos serviços».

Estas pessoas, devido ao «desvario e incompetência de governos que foram sucedendo na governação do país, são forçadas, com muita vergonha, a virem bater à nossa porta», lamentou.

Quase metade da população portuguesa estava em risco de pobreza em 2011, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística, que mostram que, mesmo depois das transferências sociais, quase 1,8 milhões de pessoas continuavam em risco.