O pai de uma menina de cinco meses está em greve de fome no Centro Histórico de Guimarães contra a demora do Tribunal em decidir o futuro da criança que foi institucionalizada às 48 horas de vida.

Em declarações à agência Lusa, o advogado do homem, Carlos Seia, explicou que Filipe Martins, de 63 anos, «apenas quer chamar a atenção» para a demora na resolução da guarda da criança, que «só pode ver uma hora por semana».

O casal, contextualizou o advogado, tinha uma outra menor a cargo, filha da mulher de Filipe Martins, que foi entregue por ambos à guarda da Segurança Social por o casal «não conseguir disciplinar» a criança, o que «serviu de base» para a decisão do tribunal de retirar a bebé aos pais.

Filipe Martins está, desde segunda-feira, em greve de fome frente à porta da instituição em que a menina está internada com cartazes, em três línguas, que explicam o porquê da «atitude drástica» que resolveu tomar.

«Ele quer chamar a atenção para a demora em decidir o futuro desta criança», disse o casuístico.

Carlos Seia apontou que o que «serviu de base» à decisão do Tribunal de retirar a bebé aos pais «foi a discordância da Segurança Social relativamente aos castigos que o casal aplicava à menor mais velha», de 12 anos.

«O meu cliente e a mulher optaram por internar a criança mais velha para ver se ela se corrigia. Quando a mais nova nasceu, a Segurança Social quis também institucionalizá-la, mas os pais não aceitaram e houve, então, o recurso ao Tribunal», disse.

Entretanto, disse, «já lá vão cinco meses sem o meu cliente poder ser pai da filha uma vez que só pode estar com ela uma hora por semana» na instituição na qual a criança se encontra, a Associação de Apoio à Criança de Guimarães.

No entanto, disse, «no âmbito de todo este processo, os meus clientes já fizeram testes psicotécnicos na Universidade do Minho que os dão como aptos para exercer o poder parental, ainda que sugiram acompanhamento».

O advogado explicou que Filipe Martins e a mulher «estão dispostos a aceitar serem acompanhados por técnicos da Segurança Social mas para isso é preciso um meio-termo entre a entrega total aos pais e a retirada da menina da família definitivamente».

Embora afirme não concordar com a medida do pai da criança, o advogado afirmou que Filipe Martins está «decido» em continuar com o protesto.

«Ele diz que só para a greve quando alguma coisa for feita. Até lá, pretende continuar no local», disse.