A greve do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional ao período noturno e de fim de semana, iniciada a 17 de Abril e que hoje terminou, teve uma adesão cuja média foi superior a 90 por cento, disse à Lusa o presidente do SNCGP.

«A greve teve uma adesão muito boa, apesar do desânimo dos guardas que acreditam cada vez menos no sistema e na Direção-Geral dos Serviços Prisionais», comentou Jorge Alves, observando que a greve dos guardas abrangeu o período da noite (19:00 às 8:00 nos dias de semana) e fins de semana (sexta-feira a segunda-feira das 19:00 às 8:00) por falta de pagamento do subsídio de turno.

Outras razões que motivaram a greve prendem-se com a sobrelotação das cadeias com pessoas cada vez mais jovens e com a recusa pelo Governo de considerar a profissão de guarda prisional como de «risco e desgaste rápido», o que permitiria antecipar o pedido de reforma.

O sindicato pretende ainda a integração na remuneração base de dois suplementos - «serviço na guarda prisional« e «segurança prisional» - e o pagamento de subsídio aos guardas que prestam serviço durante a noite.

«Neste momento só pagam subsídio de turno aos guardas de Alcoentre e do Hospital de Caxias porque têm uma escala diferente de 12 horas, quando os restantes guardas fazem escalas de 24 horas», indicou.

Outra das reivindicações do maior sindicato do setor, é a aplicação aos da nova tabela remuneratória que já abrange a PSP e GNR desde 2010.

Jorge Alves criticou o Ministério da Justiça por não se «dignar» a dar resposta aos pedidos de reunião do sindicato.

Contudo, ainda hoje, o presidente do SNCGP vai ter uma reunião com o diretor-geral dos Serviços Prisionais, Rui Sá Gomes, para discutir as preocupações dos guardas.

Segundo dados recentes, existiam 14.418 reclusos em Portugal, espalhados por cerca de meia centena de estabelecimentos prisionais.